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[ec1] Enquadramento, Google Earth, abril, 2023 |

A história do Edifício do Chiado em Coimbra começou a desenhar-se a partir de 1894, nos Grandes Armazéns de Lisboa, pela mão dos irmãos Louis Boneville e Émile Philipot. Os Armazéns foram posteriormente adquiridos pelos irmãos Joaquim e Abílio Nunes dos Santos, que exploravam o negócio da importação de rendas e bordados. Em 1904, conhecem novos sócios e passam a chamar-se “Grandes Armazéns do Chiado” (GAC) de “Santos, Cruz & Oliveira, Lda.”. No início do séc. XX, os GAC eram já uma das maiores empresas de venda a retalho portuguesas e, em 1906, adquirem um edifício para a sua filial em Coimbra, na velha rua da Calçada (Rua Ferreira Borges), com o propósito de ser um grande armazém de comércio.
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[ec2] Armazéns dos irmãos Nunes dos Santos |
[ec3] Armazéns dos irmãos Nunes dos Santos |
[ec4] Armazéns de Santos, Cruz & Oliveira |

De modo a obter um espaço amplo para o comércio, na remodelação do edifício ocorrida entre 1909 e 1910, foram utilizadas estruturas metálicas capazes de suportar vãos amplos, em detrimento da segmentação feita pelas paredes de alvenaria. A fachada, em ferro e vidro, passou a ser a grande montra do que se vendia no interior. A inauguração fez-se no dia 25 de abril de 1910 e mereceu honras na imprensa nacional, onde foram enaltecidas as “novas e sumptuosas instalações”, a “originalidade da frontaria”, a “iluminação feérica”, a “vastidão das suas montras”, o “arrojo e espírito de iniciativa” e a “largueza de vista” da empresa (in Defeza e Diário de Notícias, 22 e 26 de Abril de 1910).
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[ec5] Rua Ferreira Borges no início do século |
[ec6] Pormenor do piso térreo |
[ec7] Pormenor da fachada |

Talvez por querer que o foco fosse o GAC e não o edifício em si, o promotor da remodelação* nunca revelou qualquer informação sobre a autoria do projeto. No entanto, no processo de licenciamento da obra consta a memória descritiva assinada por A. S. Correia, segundo um estudo de Raquel Magalhães, talvez esta assinatura corresponda a Alberto de Sá Correia, um técnico de engenharia que trabalhara com o Eng. Júlio António Vieira da Silva Pinto, responsável pelo levantamento da planta de Lisboa. O facto, é que tanto os edifícios da Rua Ferreira Borges, como os da Visconde da Luz, comungam a arquitetura da época, variando unicamente a riqueza formal do trabalho nas decorações, talhas ou cantarias e/ou madeiras nos guarda-corpos em ferro. Todos menos um – o Edifício Chiado. Este foi, sem dúvida, um dos edifícios mais ousados projetados à época para Coimbra. Um edifício moderno, de uma Era pós Revolução Industrial, pós Exposição Mundial de Paris e pós Gustavo Eiffel, com imagem da estética da metalurgia e da plasticidade do ferro fundido utilizado em teatros, estufas, mercados, pontes, palácios de cristal e, em 1889, na Torre Eiffel**.
* Esta alteração uniu o edifício principal às construções anexas nas traseiras, prevendo, no espaço do pátio ou saguão central, a execução de uma escadaria coberta por uma clarabóia. As duas lojas que existiam no r/c foram unidas num único piso térreo, que integrou também as sobre-lojas, permitindo desta forma o aumento do pé direito. Tendo como objectivo a criação de espaços amplos e a rápida adaptação da antiga à nova construção, foram utilizadas estruturas metálicas pré fabricadas, que substituíram antigas paredes. As alterações foram apenas efectuadas no piso térreo, ficando quase iguais o primeiro, segundo e terceiro pisos, à excepção da fachada. A renovação da fachada constituiu a grande alteração desta obra e um dos seus principais objectivos. O edifício anterior era um tradicional prédio em alvenaria com vãos orlados em cantaria, cujo novo projecto previa que se transformasse numa moderna frontaria com amplas montras no r/c. Os andares superiores seriam revestidos com grelhas preenchidas com pranchas de vidro e varandas decoradas com motivos geométricos e vegetalistas em ferro, cujo dinamismo do traço imprimia um certo movimento orgânico Arte Nova. Efectivamente, conferir modernidade e originalidade à fachada era o objectivo fundamental da adaptação, para além da abertura dos já referidos espaços amplos. A pala decorada com elementos de inspiração Arte Nova convidava os transeuntes a apreciarem as montras abrigados do sol e da chuva. [1]
** Certo é que não temos nome para o autor do desenho desta obra e, porque na ausência de documentação, temos de empreender outros caminhos de averiguação. Pensemos que, desde os meados do século XIX, e especialmente no último quartel da centúria, Coimbra desenvolvia enormemente o trabalho em ferro, transformando-se paulatinamente num centro onde floresciam os gradeamentos, os candelabros e candeeiros a gás, os portões e, por fim, os coretos, entre outros equipamentos e obras feitas em ferro. Para este desenvolvimento contribuiu António Augusto Gonçalves (que, em 1878, tinha fundado a Escola Livre das Artes do Desenho) que, em 1900, decide viajar até Paris para visitar a Exposição Universal, regressando impressionado com o que por lá viu (especialmente a relativamente recente Torre Eiffel) e determinado em incluir, na sua escola, o aprendizado da arte do fabrico em ferro. O coreto do Cais das Ameias (agora no Parque da Cidade) nasceu já dentro deste espírito novo, aberto às estruturas e aos objectos férreos. Desenhado pelo arquitecto (que tantas obras deixou em Coimbra) Augusto da Silva Pinto, a obra inaugurou-se em Julho de 1904.
O Edifício Chiado surge na esteira de outras obras em ferro coimbrãs, como a do Teatro Circo do Príncipe Real D. Luís Filipe (o perdido Teatro Avenida, inaugurado nos anos noventa do séc. XIX e derribado praticamente um século depois, para ceder-se a uma obra sem utilidade nem interesse estético), ou a da Penitenciária, construída entre o final dos anos setenta e o final dos anos noventa da mesma centúria de oitocentos, segundo desenho do Engenheiro Ricardo Júlio Ferraz, erguida sobre o velho Colégio de Tomar, que também desapareceu. Acresce ainda referir, neste elenco de obras férreas coimbrãs, o antigo Mercado D. Pedro V, pensado durante o século XIX e ampliado (com o mercado do peixe numa estrutura em ferro) nos primeiros anos do século seguinte (1904), com obra adjudicada ao mesmo arquitecto do coreto do Cais: Augusto da Silva Pinto. Aliás, a presença deste arquitecto nas obras do mercado subsistiria ainda em 1908-09, aquando da encomenda camarária de um novo projecto para o mercado. Augusto da Silva Pinto concebe outra vasta estrutura em ferro e vidro, que não viria a aplicar-se por falta de orçamento. Objectivamente, o mercado foi sendo substancialmente intervencionado, com obras pontuais para pequenos melhoramentos feitos sem planeamento e, em 1914, estava já a ameaçar ruína.
Importa-nos rever estas notícias na medida em que encontramos, amiúde, o nome do arquitecto Silva Pinto a encabeçar obradouros férreos na cidade de Coimbra (e não mencionámos as obras de transformação do Colégio de Tomás, nem as da Faculdade de Letras), pelo que não nos custaria a admitir que a reconformação do espaço que viria a vestir-se no Edifício Chiado possa ter contado com a sua participação. [2]
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[ec8] Anúncio de abertura dos Grandes Armazéns do Chiado em Coimbra |
Em 1921, já com o rés-do-chão aberto ao comércio, a Fundição José Alves Coimbra contribuiu para a execução e aplicação dos elementos estruturais dos pisos superiores, numa aplicação do mesmo tipo de remodelação ampla. No piso térreo, entre outros, passaram-se a vender as fazendas e tecidos, retrosaria e atoalhados, lençaria e cobertores. No piso imediato, as confecções e acessórios. No segundo piso, vendiam-se brinquedos e utensílios para o lar e, no último piso, os artigos de viagem, móveis e derivados.
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[ec9] Inauguração da Sucursal em Coimbra |
[ec10] Publicidade aos "preços sem competência" |
[ec11] Sucursais dos Grandes Armazéns do Chiado |

Os GAC usavam como mote o de “ganhar pouco servindo bem o público”. Inspirados nos modelos parisienses, vendiam de tudo a “preços sem competencia”, desde o vestuário à retrosaria, passando pela venda de mobílias e de brinquedos, perfumes ou atoalhados, evitando ao cliente “a maçada de andar de lado para lado” conforme publicitavam. Faziam saldos, ofereciam brindes, definiam tendências, alternavam coleções e tinham preços fixos e mais baratos nos seus produtos adquiridos diretamente na fábrica ou de produção própria. Deste modo, democratizaram o acesso a produtos de moda durante três décadas, até que entraram em decadência.
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[ec12] Rua Ferreira Boges, às escadas de S. Bartolomeu |
[ec13] Edifício Chiado |
[ec14] Rua Ferreira Boges, às escadas de S. Bartolomeu |

Em 28 de janeiro de 1952, o edifício é vendido ao empresário Santiago Alvarez Mendes (mais tarde Sociedade Têxtil Santiago A. A. Mendes – Santix), que tinha sede na mesma rua desde 1934. O espaço passou então a servir o duplo propósito da produção fabril de peças de vestuário e de armazém grossista, até sofrer um violento incêndio, a 13 abril de 1963. Numa nova remodelação, foi-lhe inscrito no topo “Santix desde 1900”, mas o continuado perigo que a maquinaria a vapor apresentava numa área densamente povoada, acabou por ditar a transferência da produção fabril para o Vale de Canas. O edifício foi alienado a favor do Banco Intercontinental Português, em 12 de setembro de 1973. Em 1977, o património do BIP foi integrado no Banco Pinto & Sotto Mayor, que pretendeu ali instalar uma agência bancária. Contudo, em março de 1978, um grupo de cidadãos iniciou um movimento cívico, conhecido por “Operação Chiado”, com o intuito de trazer o edifício para a posse pública. “Dêem-nos 4 meses e mostraremos o que se pode fazer disto”, terá pedido o líder do movimento. Do empenho dos Serviços de Turismo da Câmara Municipal de Coimbra, da Fundação Calouste Gulbenkian, da Secretaria de Estado da Cultura, da Universidade e do Museu Nacional de Machado de Castro, resultou um programa cultural que intenso que culminou, em 5 de junho de 1978, com a “entrega” da chave do edifício por parte do banco***, tendo sido a aquisição (através da permuta de um terreno na Avenida Fernão de Magalhães) concretizada seis anos depois, em 1984, quando Fernando Mendes Silva, o ex-líder do movimento, assumiu mandato como presidente da autarquia.
*** Rodrigues Costa, à data responsável pelos Serviços Municipais de Turismo, testemunhou que nesse mesmo dia Mendes Silva o procurou e lhe transmitiu, “A minha tarefa está terminada. Agora é com a Câmara”. E, acrescentou, com aquele seu inconfundível linguarejar coimbrão: “Aguente-se à bronca”.

Neste espaço temporal, em 14 de junho de 1978, o edifício obteve o parecer positivo do Instituto de Salvaguarda do Património Cultural e Natural para a sua classificação como “Imóvel de interesse público”, embora o edifício entre os números 81 e 91 da rua Ferreira Borges, frente às escadas de São Bartolomeu, só tenha visto tal classificação concretizada em 1997 e publicado em decreto de classificação em 2002 (Decreto n.º 5/2002, DR, 1ª Série-B. n.º 42, de 19 de fevereiro)
Em 1992, o edifício foi profundamente remodelado pela autarquia. O projeto da Arquiteta Teresa Freitas e da Engenheira Teresa Quinta, transformou o imóvel num espaço expositivo (Museu Municipal), tendo vindo a receber nos pisos superiores, em 2001, a vastíssima coleção de arte doada em 1999, à cidade, por Maria Emília e José Carlos Telo de Morais, após vários anos de escrupulosas aquisições. A coleção, designada por “Coleção Telo de Morais”, começou e acabou com a aquisição de duas pinturas: a primeira, de João Reis e a última de Alice Jorge (mulher de Júlio Pomar).

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[ec15] Remodelação do Edifício do Chiado in CMC |
[ec16] Remodelação do Edifício do Chiado in CMC |
[ec17] Remodelação do Edifício do Chiado in CMC |
Trata-se de uma coleção feita de tempo e sentido estético, subdividida em 6 grupos: pintura, cerâmica, escultura, mobiliário, pratas e outras tipologias, que espelha muito da diversidade que define o casal, especialmente o Dr. José Telo de Morais, "Um homem que sempre gostou de quase tudo. Do desporto à música, da arte à caça e à pesca", como ele próprio se definia. As aquisições do casal não tiveram como primeira finalidade o investimento. Numa primeira fase, queriam estudar, descobrir, conhecer e perceber, mas, com o tempo, foi-se instalando uma outra razão que atinge todo o colecionador: o vício. Aliás, esta razão ficou patente aquando do processo de doação, que o casal quis que decorresse o mais discretamente possível, e esperou, sim, encontrar alguma paz de espírito, desassossegado pelo "vício de colecionador". Ao contrário do que se poderia esperar, não existe uma relação de saudade, e muito menos de propriedade, em relação a uma coleção com duas centenas e meia de obras que demorou 40 anos a constituir, centrada sobre um século de pintura (1850-1950), que começa no romantismo e termina com as correntes modernistas. Nas palavras de um perito contratado pela CMC, “Verifica-se uma coerência e unidade na colecção das peças, pois centra-se apenas em obras de arte portuguesa da segunda metade do século XX e início do XXI. Pode, assim, considerar-se como sendo uma verdadeira colecção de arte contemporânea portuguesa. […] A escolha teve também em conta uma sistemática colecção da grande maioria de nomes de artistas que tiveram papel decisivo na evolução da arte dos últimos sessenta anos.”
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[ec18] Maria Emília e José Carlos Telo de Morais |
[ec19] O incansável colecionador de arte, que deu um museu a Coimbra |

O mesmo se constata relativamente à nova coleção de arte moderna e contemporânea, composta por peças de elevado valor artístico e representativo de um gosto português clássico, que sob orientação do casal Telo de Morais, a autarquia adquiriu entre o final dos anos 90 e o ano de 2014. No todo, podemos admirar as interpretações de Abel Salazar, Almada Negreiros, Álvaro Lapa, Ana Hatherly, Ângelo de Sousa, António Areal, António Carneiro, António Costa Pinheiro, António Dacosta, António Palolo, Columbano, D. Carlos, Carlos Botelho, Carlos Reis, D. Fernando II, Fernando Calhau, Helena Almeida, José Escada, José de Guimarães, José Malhoa, José Pedro Croft, Jorge Martins, Jorge Pinheiro, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Júlio Resende, Luís Noronha da Costa, Manuel Cargaleiro, Mário Cesariny, Mário Eloy, Maria Helena Vieira da Silva, Nadir Afonso, Nikias Skapinakis, Noronha da Costa, Pedro Cabrita Reis, Rafel Bordalo Pinheiro, Roque Gameiro ou Silva Porto. A "Escola de Coimbra" contribui com obras de Ebil, Olaio, Pinho Dinis e Cunha Rocha. Entre estes, encontra-se um estudo para o célebre quadro "Camões na gruta de Macau", de Francisco Metrass. O acervo de cerâmicas reúne uma coleção de pássaros da Vista Alegre, outras coleções completas de porcelanas chinesas, dos séculos X ao XIX, com a particularidade de contar ainda com uma peça com dois mil anos. Peças raras em prata, vidro e marfim, esculturas religiosas do Renascimento e mobiliário indo-português e português dos séculos XVII e XVIII. Alguns destes exemplares são peças únicas que já figuraram em catálogos internacionais e foram exibidas em grandes exposições internacionais.
A exposição foi inaugurada pelo Ex.mo Sr. Presidente da República Portuguesa, em 16 de julho de 2001, diria, com a vontade de quem quiser estudar pintura, terá de vir a Coimbra testemunhar esta coleção agora “eterna”.
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O toureio de Cañero, 1925, de José de Almada Negreiros (1893-1970). Tinta da china s/ papel, 36,4x49,6cm Ver aqui, catálogo de Um percurso pela coleção Portuguesa - Coleção Telo de Morais Ver aqui, a apresentação da Coleção Telo de Morais, por António Filipe Pimentel |
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Outros direitos:
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[ec6] e [ec7] Pormenor da fachada e piso térreo. Projecto Nunes dos Santos & Comp.a 1909, CMC-DGURU – 01.1909.1765, in O Edifício Chiado em Coimbra, de Raquel Magalhães
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[ec12], [ec13] in https://www.comerciocomhistoria.gov.pt/listings/casa-da-sorte-3655/ e [ec14] in https://www.e-cultura.pt/evento/13907, numa retrospectiva histórica do espaço exterior ao Edifício do Chiado
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[ec19] José Carlos Telo de Morais, o médico discreto, filantropo, esclarecido e incansável coleccionador de arte, que deu um museu a Coimbra, in https://www.publico.pt/2021/01/17/local/noticia/telo-morais-medico-discreto-deu-museu-coimbra-1946581
Fontes:
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Álvaro Vieira e Nélson Morais, Colecção Telo de Morais doada a Coimbra, 1999, in https://www.publico.pt/1999/01/23/jornal/coleccao-telo-de-morais-doada-a-coimbra-128648;
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Carla Alexandra Gonçalves, O Edifício Chiado, 2014 [2];
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José Augusto Leite, Grandes Armazéns do Chiado, in https://restosdecoleccao.blogspot.com/2012/01/grandes-armazens-do-chiado.html;
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Raquel Magalhães, O centenário Edifício do Chiado 1910, os Grandes Armazéns do Chiado em Coimbra, Divisão de Museologia da Câmara Municipal de Coimbra, in https://www.uc.pt/rualarga/anteriores/27/27_09 [1];
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Raquel Magalhães, O Edifício Chiado em Coimbra;
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Rodrigues Costa, Coimbra, O edifício Chiado, in https://acercadecoimbra.blogs.sapo.pt/.
Alterações, correções e aditamentos:
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Em abril de 2023, por sugestão de Raquel Magalhães, em torno do eng. Júlio António Vieira da Silva Pinto, responsável pelo levantamento da planta de Lisboa e do arq. Augusto Carvalho Silva Pinto, que terá desenhado o pavilhão do peixe do Mercado.


Paulo Simões Lopes, abril de 2023
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