Vitex é um género principalmente pan-tropical com cerca de 250
espécies de árvores e arbustos. A revisão taxonómica mais recente deste
género em África foi a de Pieper (1928). Esta publicação trata de cerca
de 110 espécies, algumas não estudadas directamente pelo autor e inclui
muitos sinónimos. Excluindo Moldenke que entre 1955-58 publicou na
revista Phytologia vários trabalhos confusos sob o ponto de vista
nomenclatural, existem apenas quatro trabalhos modernos, embora
parciais, sobre o género (Verdcourt, 1992; Bredenkamp & Botha,
1996; Sales, 2001 and 2005).
A
revisão taxonómica do género conduzirá ao esclarecimento das relações
filogenéticas entre espécies. Uma taxonomia sólida constituirá um
indicador da existência de compostos químicos em diferentes espécies,
compostos esses que já demonstraram possuir um potencial farmacológico
apreciável em V. agnus-castus. Entre os diversos
constituintes químicos, os terpenóides, que são os principais
constituintes dos óleos essenciais, são considerados dos metabolitos
secundários que melhor cumprem os requisitos básicos da
quimiotaxonomia, isto é, apresentam complexidade química e variação
estrutural, estabilidade fisiológica, ampla distribuição e rápida
identificação. Para além do seu interesse como potencial planta
medicinal, Vitex é um constituinte localmente relevante do
ecossistema tropical e subtropical. A capacidade de regeneração de
algumas das suas espécies (complexo V. madiensis) após
queimadas em zonas sub-tropicais para a obtenção de pastagens poderá
ser explorada na bioremediação de zonas antropogenizadas em África.