Por ocasião da inauguração oficial da exposição CAMÕES 500, na qual será apresentado o programa geral das comemorações na UC dos 500 anos de Luís de Camões, vai realizar-se um concerto que promete recriar o ambiente musical da época de Camões.
A atuação do grupo Ars Lusitana na Capela de São Miguel (9 de Janeiro de 2025, às 17h30) convida o público atual a conhecer a música quinhentista, proporcionando uma experiência que se articula harmoniosamente com a inauguração da Exposição "Camões 500". A entrada é livre.
APRESENTAÇÃO
Qualquer exercício de reconstrução do mundo musical no tempo de Luís de Camões (c1524-c1580) terá que forçosamente ter em consideração os quatro cancioneiros musicais quinhentistas portugueses hoje conhecidos. O presente programa recebe o seu título a partir da peça homónima conservada num desses manuscritos, o Cancioneiro da Biblioteca Nacional. Este cancioneiro, em tempos pertencente ao músico, compositor e director do Conservatório Nacional Manuel Ivo Cruz (†1985), contém música de finais do século XV e século XVI, tanto obras sacras como canções em língua vernácula (castelhano ou português, os dois idiomas poéticos praticados no Portugal de então).
O Cancioneiro de Elvas, hoje em dia na Biblioteca Municipal da mesma cidade, é uma compilação de música e poesia do século XVI. A maior parte das peças e textos são de autores anónimos. Tem características semelhantes (assim como algumas concordâncias) com o Cancioneiro de Paris, outrora pertencente ao industrial francês Jean Masson (†1933) e actualmente à guarda da École Supérieure de Beaux-Arts dessa cidade. É a mais extensa das nossas fontes musicais vernaculares quinhentistas, com mais de 130 peças. Por último, o Cancioneiro de Belém, conservado no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, é o de mais recente elaboração (uma inscrição aponta para o ano de 1603), contendo, porém, música da segunda metade do século XVI.
As poucas centenas de peças, texto e música, que preenchem os fólios destes quatro manuscritos musicais são seguramente a melhor ilustração da paisagem sonora que acompanhou Camões, pelo menos durante as suas estadias no continente lusitano.
Maria Bayley
Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos
Universidade de Coimbra
PROGRAMA
"O Tempo Bom Tudo Cura A Música nos Cancioneiros Portugueses no Séc. XVI"
D’esperança vos vestistes Cancioneiro de Belém |
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Ay de mim sin ventura Cancioneiro de Belém |
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Não me espanto já de não Cancioneiro de Paris |
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Olhos que andais agravados Cancioneiro de Paris |
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Mis oios tristes lhorando Cancioneiro de Lisboa |
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Já não podeis ser contentes Cancioneiro de Elvas |
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O tempo bom tudo cura Cancioneiro de Lisboa |
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Ave Maria Cancioneiro de Lisboa |
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Dulçe suspiro mio Cancioneiro de Belém |
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O más dura que mármor Cancioneiro de Belém |
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Si tantos monteros Cancioneiro de Lisboa |
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Do vosso bem querer Senhora Cancioneiro de Paris |
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Niña era la infanta Cancioneiro de Lisboa |
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Na fonte está Lianor Cancioneiro de Paris |
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Fontes Cancioneiro de Belém (P-Lma Ms. 3391) s.XVI Cancioneiro de Elvas (P-Em Ms. 11793) s.XVI Cancioneiro da Biblioteca Nacional (P-Ln CIC 60) s.XV/s.XVI Cancioneiro de Paris (F-Peb Masson 56) - s.XVI |
