A sétima sessão do ciclo de debates «Camões. Aqui e Agora» vai contar com os contributos de Carlota Simões e Jorge Paiva, com moderação de Maria de Fátima Silva.
Elegendo como mote «Camões e a Ciência», o próximo debate do ciclo «Camões. Aqui e Agora», promovido pela Comissão Organizadora das Comemorações dos 500 Anos do Nascimento de Camões na Universidade de Coimbra, vai ter lugar no dia 21 de janeiro de 2026, quarta-feira, pelas 18h00, na Sala de São Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC). Carlota Simões e Jorge Paiva darão a conhecer os seus argumentos sobre o conhecimento científico do Poeta, numa discussão moderada por Maria de Fátima Silva.
A iniciativa destina-se a docentes do Ensino Básico e Secundário, bem como ao público académico e indiferenciado. Esta série inclui 10 sessões, com periodicidade bimensal, entre janeiro de 2025 e junho de 2026. Cada debate (com duração máxima de 100 min.) vai explorar um determinado tema, com a intervenção de dois/duas oradores/as, que irão dispor de 20 a 30 min para apresentar a sua proposta de abordagem ao tópico definido.
A entrada é gratuita, mediante inscrição. A reserva prévia de lugar é obrigatória, através do e-mail bg-eventos@bg.uc.pt ou preenchendo o formulário disponível aqui.
Na sua intervenção, intitulada «Camões, flores e florestas», Jorge Paiva mostrará como Camões «além de ser muito culto e uma mente brilhante, era um sagaz observador.» Assim, na sua obra poética, cita não só plantas referenciadas na literatura e poesia clássica (geralmente flores), como, também, plantas dos vários biomas florestais (nomeadamente árvores e arbustos) que observou em Portugal (a fagosilva = carvalhal e a floresta ripícola = floresta das margens dos rios), durante a viagem (a laurisilva = floresta com árvores da família do louro, as Lauráceas) e na Ásia (a pluvisilva tropical = floresta tropical de chuva).
Carlota Simões abordará a presença de Vénus n’Os Lusíadas numa dupla dimensão: como deusa mitológica e como corpo celeste real. Estudos de efemérides do século XVI, bem como simulações astronómicas atuais, através do programa Stellarium, confirmam que o planeta Vénus acompanhou a armada de Vasco da Gama durante a travessia do Índico, até à chegada a Calecute em 1498. Camões estava consciente deste fenómeno astronómico e integrou-o deliberadamente na epopeia, tornando Os Lusíadas num raro exemplo de convergência entre ciência e mito na literatura renascentista.