Séc. XXI
João Manuel Filipe de Gouveia Monteiro nasceu em Coimbra a 24 de setembro de 1958 e formou-se como historiador na UC, sob a orientação do insigne medievalista José Mattoso (1933-2023). Doutorou-se em 1997 na FLUC, onde é professor catedrático, ensinando História Militar e História das Religiões. Na sua universidade foi Pró-Reitor para a Cultura (2003-2007) e Diretor da Imprensa (2009-2011), tendo colaborado na candidatura a Património Mundial da Humanidade. Na Faculdade de Letras, integrou todos os órgãos de gestão. Foi membro do Conselho Geral da UC (2012-2016 e 2020-…). Foi também bolseiro da F.C.G. em Inglaterra e teve experiências de estudo e ensino em Berlim (1979/80), Montpellier (2001/02), Bolonha (2014) e Tenerife (2018).
Autor de muitos estudos e traduções, é convidado frequente em programas de rádio e de televisão. Colaborou com Maria Leonor Cruz Pontes, sua mulher, em vários projetos, nomeadamente em «Cinco Joias de Coimbra» (livro de 2023), no Campo Militar de Aljubarrota e no Centro de Interpretação da Batalha dos Atoleiros. Com enorme capacidade de trabalho e curiosidade permanente, tem-se dedicado ao estudo das línguas e à prática do piano. É membro correspondente da Academia Portuguesa da História. Fundou a Associação Ibérica de História Militar (IV-XVI) e a Academia para o Encontro de Culturas e de Religiões.
Foi Diretor da BGUC entre 18 de julho de 2019 e 11 de maio de 2023, um período durante o qual ampliou as atividades de extensão cultural nas vertentes da educação ambiental, da promoção da leitura para os jovens e da interculturalidade, com muitas dezenas de eventos anuais. Criou uma Liga dos Amigos da Biblioteca (LIBUC), pôs em funcionamento o Conselho Consultivo da BGUC, requalificou a Oficina de Conservação e Restauro, preparou um espaço para acolhimento de Estudantes com Necessidades Educativas Especiais e conseguiu a saída do balcão de vendas do circuito turístico, renovando o átrio, onde se encontra exposto o prelo Haas-Galinha, cujo restauro promoveu. Coube-lhe gerir o shutdown durante a pandemia de Covid-19, continuando a assegurar por meios digitais o acesso à documentação, para satisfação dos utilizadores. Durante a sua direção, a BGUC assumiu a gestão dos sistemas de informação da UC e passou a contar com dois Diretores-adjuntos, realizando-se regularmente plenários semestrais de trabalhadores. Marca forte do seu mandato foi o zelo na salvaguarda do património, com ênfase no restauro dos manuscritos musicais e na proteção da Biblioteca Joanina, que conheceu neste período obras profundas de restauro, além da redução do fluxo turístico.
José Augusto Cardoso Bernardes, nascido em Brenha (Figueira da Foz, 1958), é Professor Catedrático da Faculdade de Letras e efetuou todo o seu percurso académico na Universidade de Coimbra, tendo-se doutorado em Literatura Portuguesa, em 1995. Foi Presidente do Conselho Científico da sua Faculdade (2004-2007) e eleito Membro do Conselho Geral da Universidade (2008-2012). Foi Professor Visitante nas Universidades Blaise Pascal (Clermont-Ferrand), Oxford, Valencia e Santa Barbara (Califórnia). Co-dirigiu Biblos: Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa (1995-2005) e tem vasta bibliografia na área dos estudos literários, vicentinos e camonianos. Foi coordenador do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos (2005-2006) e do Centro de Literatura Portuguesa (2007-2012).
Tem desenvolvido um trabalho relevante na área da Educação, publicando estudos como A Literatura no Ensino Secundário (2004) e A Literatura e o Ensino do Português (com Rui Mateus, 2013), sendo membro do Conselho Nacional de Educação e do Atomium Culture – European Institute for Science, Media and Democracy, organismo do Conselho da Europa para a Cultura.
Enquanto Diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, foi responsável pela definição dos circuitos de segurança interna, pela atualização do sistema antifurto, pelo definitivo investimento em estantes compactas (para resolver o problema da urgente falta de espaço no edifício novo), pelo aquecimento por infravermelhos na Sala de Leitura e na sala de São Pedro e pela aquisição de câmaras de anóxia para a desinfestação de fundos documentais. Durante a sua direção, houve um assinalável incremento das atividades culturais, nomeadamente no número, qualidade e circulação de exposições, por exemplo para o polo da UC em Alcobaça, e a continuação de uma política, já iniciada pelo anterior Diretor, de maior abertura da Biblioteca, disponibilizando a Sala de São Pedro a parcerias externas. Reformou a Sala de Leitura de Manuscritos e Obras Raras (2017) graças a um generoso apoio da Fundação Eng. António de Almeida, garantido pela ação do seu Presidente Doutor Fernando Aguiar-Branco. Durante o seu mandato, celebrou condignamente os 500 Anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra (2013) com um variado programa cultural, onde se destacaram um grande congresso internacional e um projeto de digitalização de 500 documentos, não apenas da BGUC mas pertencentes a várias outras bibliotecas da UC.
Carlos Manuel Batista Fiolhais nasceu, em Lisboa a 12 de junho de 1956. Depois de aí ter frequentado a então primeira classe do ensino primário veio para Coimbra, tendo feito nesta cidade o seu percurso académico até à conclusão da licenciatura em Física, em 1978. Doutorou-se em Física Teórica em 1982 na Universidade Goethe, em Frankfurt am Main (Alemanha). Deu a sua “última aula” em Coimbra, em 2021.
Cientista de renome, é Professor Catedrático do Departamento de Física da Universidade de Coimbra desde o ano de 2000 e um dos cientistas portugueses mais citados internacionalmente. É igualmente um reconhecido divulgador da ciência, tendo publicado vários livros dirigidos ao público mais jovem. Leitor compulsivo e com um universo vasto de interesses, desde as artes plásticas – obteve vários prémios de pintura quando estudante no Liceu – à música, literatura, banda desenhada e cinema. É Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
A sua ação enquanto Diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, durante dois mandatos reitorais (2004-2011) ficou assinalada com uma profunda alteração ao Regulamento (2009), que criou duas áreas de organização funcional (Área de Tratamento Técnico Biblioteconómico e Área de Leitura, Referência e Apoio ao Utilizador) e com a criação do Serviço Integrado das Bibliotecas da Universidade de Coimbra (SIBUC), para assistir o sistema de informação bibliográfica conjunto das bibliotecas da Universidade. No seu segundo mandato, retomou a publicação do centenário Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra, apenas em formato eletrónico. Do ponto de vista patrimonial, deve-se-lhe a vinda para a BGUC do acervo do Instituto de Coimbra e a compra dos mapas da Coleção Nabais Conde. Do ponto de vista logístico, refira-se a reorganização dos periódicos e a acomodação do arquivo/biblioteca de O Instituto em estantes compactas. Introduziu, no que aos serviços disponibilizados pela BGUC diz respeito, o alargamento do empréstimo domiciliário a todos os leitores. No seu tempo, a Biblioteca Joanina foi liberta dos serviços técnicos instalados no piso intermédio, e abriu-se integralmente ao Circuito Turístico.
Séc. XX
Nasceu em Cernache (Coimbra), em 17 de janeiro de 1938. Fez os estudos primários na sua terra natal e frequentou o Liceu em Coimbra. Matriculou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da UC, onde se licenciou, em 1960, com a tese Balzac em Portugal. I Contribuição para o estudo da influência de Balzac em Portugal e no Brasil. Doutor em Literatura Portuguesa, pela Universidade de Coimbra e Doutor Honoris causa pela Universidade Católica Portuguesa, foi ainda Académico de Número da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História e sócio correspondente de várias academias e sociedades científicas estrangeiras. Foi Comendador da Ordine al Merito della Republica Italiana, Comendador da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e Cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro. Faleceu em Coimbra, em 8 de outubro de 2010.
Os seus interesses abrangeram vários domínios e personalidades, destacando-se estudos sobre a obra do padre António Vieira, Camões (foi fundador do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, que sediou na BGUC), António Ferreira, Camilo Castelo Branco (foi Diretor da Casa-Museu de Camilo e do Centro de Estudos Camilianos de S. Miguel de Seide) e Eça de Queiroz, sobre teorização e crítica literária, crítica textual e história da Cultura. Nos últimos anos de vida, dedicou-se à direção da Casa da Infância Doutor Elysio de Moura, tendo sido também Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra.
Em 1984, começou a exercer como «Adjunto do Diretor» Luís de Albuquerque. Bibliófilo no qual a erudição se conjugava com a modernidade, e profundo conhecedor da história e do acervo da Biblioteca Geral da Universidade, durante o período em que foi seu Diretor, desde 1987 até 2004, ano em que pediu escusa do cargo, manifestou preocupação com o enriquecimento bibliográfico e documental dos seus fundos: devem-se-lhe, entre outras, a aquisição da Livraria de Oliveira Martins, dos epistolários de Eugénio de Castro, do 2º Marquês de Alorna e do Doutor Mário de Figueiredo, as bibliotecas de ciências musicais do Tenente Manuel Joaquim e da Doutora Maria Augusta Barbosa, a biblioteca do Coronel Belisário Pimenta, sem descurar a necessidade da sua modernização, para o que contribuiu de forma decisiva ao adquirir para a Biblioteca, em 1995, o primeiro sistema integrado de gestão bibliográfica, que associou várias bibliotecas da Universidade.
Luís Guilherme Furtado de Mendonça Castilho de Albuquerque era natural de Lisboa, onde nasceu a 6 de março de 1917. Engenheiro Geógrafo de formação, Doutor em Matemática pela Universidade de Coimbra (1959) e Doutor Honoris causa em História por Lisboa (1985), foi Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia e destacou-se como investigador da história da náutica, da cartografia e da Expansão. Vice-Reitor de 1978 a 1982. Grande-Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique e Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Faleceu em 22 de janeiro de 1992.
Desde os tempos de jovem assistente de Matemática que Luís de Albuquerque se interessava pela área humanística, colaborando, por exemplo, na prestigiada revista Vértice. A sua vastíssima produção científica e os livros da sua biblioteca foram oferecidos à BGUC, onde se conservam em sala que ostenta o seu nome e que é usada como sala de formação. Nos últimos anos de vida, desdobrava-se em colaborações e ajudas desinteressadas nos projetos mais variados e no mundo inteiro. Teve uma efémera atividade política após o 25 de abril, como Governador Civil de Coimbra (1974-1976).
Foi Diretor da BGUC de 1978 até à sua jubilação, em 1987. Na sua direção, modernizou os serviços e as instalações, adquiriu o núcleo bibliográfico do Dr. José Vicente Gomes de Moura e conseguiu a oferta de diversos manuscritos quinhentistas, nomeadamente a Carta-portulano de Diogo Homem (ca. 1566) e o códice dito de Bastião Lopes (1568), além de ter doado ele próprio alguns manuscritos e documentos.
A sua biblioteca pessoal deu entrada na BGUC por disposição testamentária executada pela sua filha, Helena Albuquerque e ainda não totalmente cumprida. Durante a inauguração da Sala Luís de Albuquerque (9 de fevereiro de 2011), foi entregue a correspondência pessoal com Virgílio Ferreira e reiterada a intenção de vir a doar o restante arquivo do pai.
Nasceu em Braga, em 11 de junho de 1916. Doutorou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1941, e foi titular da cadeira de História do Direito Português nesta Universidade, tendo alcançado as mais altas distinções académicas. Bolseiro em Paris (1938-1939) e em Madrid (1939-1940), veio iniciar a sua carreira académica como Assistente do Doutor Paulo Merêa. Professor Catedrático a partir de 1948 e Diretor da sua Faculdade (1958-1961), foi também Reitor da Universidade (1961-1962). Faleceu no Porto, a 11 de março de 1977.
Pertenceu à Comissão Redatora do Código Civil (1954-1966). Defendeu as posições portuguesas contra a União Indiana no Tribunal Internacional de Haia (1957-1959). Foi consultor jurídico do Conselho de Nobreza, Lugar-Tenente de D. Duarte Nuno (1960-1964) e um apaixonado filatelista, sócio do Clube Filatélico de Portugal. Académico de Número da Academia Portuguesa de História, foi Doutor Honoris Causa por São Paulo (Brasil) e pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha). Investigou nas áreas da história do Direito, Educação e Cultura Católica. Membro da organização católica Opus Dei, ajudou a fundar a Universidade Católica, em Lisboa. Comendador da Ordem do Rio Branco (Brasil).
Foi Diretor da Biblioteca Geral entre 23 de janeiro de 1971 e a data do seu falecimento, apenas com uma interrupção (na sequência da votação para o seu saneamento, em plenário de estudantes de 27 de fevereiro de 1975) após o 11 de março de 1975 e até outubro de 1976, quando o processo levantado contra si foi arquivado. Conseguiu do Ministro verbas para o aumento dos quadros da BGUC, para obras de conservação e restauro da Biblioteca Joanina e na secção de Reservados no novo edifício, que tinha inaugurado, como reitor. Foi responsável pela instalação definitiva, em sala própria, da riquíssima Livraria do Visconde da Trindade. Deu importante impulso aos trabalhos do catálogo coletivo das bibliotecas da UC e do catálogo coletivo nacional, que ele já imaginava viável apenas com o uso da tecnologia da informação.
César Joaquim da Silva de Oliveira Pegado nasceu em Margão (Goa, Índia), em 1909, cidade onde fez os seus primeiros estudos. Depois de frequentar o Liceu Nacional de Afonso de Albuquerque em Nova-Goa, veio a completar o curso secundário no Liceu Nacional de Nun' Álvares, em Castelo Branco. Matriculou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1929/30, tendo concluído a licenciatura em Ciências Histórico-Geográficas, em 1933. Diplomou-se com o Curso de Bibliotecário-Arquivista da Faculdade de Letras de Coimbra em 1937/38. Aposentou-se em 22 de maio de 1975 e faleceu em Coimbra, em 1990.
Da sua atividade profissional destacam-se a presidência da Comissão Organizadora da Exposição Bibliográfica do Código Civil, que se realizou em Coimbra (1959), a preparação do volume Catálogo de manuscritos da Biblioteca Geral (códices 1709 a 1833), a colaboração na Bibliografia Henriquina e na preparação das edições das obras de António Caetano de Silva, António Caetano do Amaral, Frei Rafael de Jesus, Fernão Mendes Pinto, António Galvão, Joannes Jacobi, Afonso Álvares, Gaspar Nicolas e Bernardim Ribeiro, entre outros. Foi professor do ensino particular, em Coimbra, durante mais de 30 anos, fundou o jornal “Acção” e colaborou em inúmeros jornais e revistas. Foi sócio efetivo do Instituto de Coimbra e sócio correspondente da Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Terminado o curso, iniciou funções como bibliotecário da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, em 1939, tendo chegado a Bibliotecário-Chefe, em 1962. Nessa ocasião, durante o impedimento do Diretor de então (Manuel Lopes de Almeida) como Ministro da Educação Nacional, foi nomeado e exerceu as funções de Diretor interino da Biblioteca Geral. Voltou a ser nomeado Diretor interino entre a saída de Manuel Lopes de Almeida e a posse de Guilherme Braga da Cruz (1970-1971).
Nasceu em Benavente (Santarém), em 16 de agosto de 1900. Começou por estudar Medicina, mas veio a licenciar-se em Ciências Históricas e Geográficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 1929, entrando no ano seguinte como professor auxiliar para a mesma Faculdade. Doutorou-se em 1940 e foi redator da revista Biblos, para além de ter dirigido os Ata Universitatis Conimbrigensis e a Revista da Universidade. Criou em Angola e em Moçambique as primeiras instituições para o ensino superior. Faleceu em Coimbra, a 15 de dezembro de 1980.
Teve uma carreira política ativa, como deputado e primeiro secretário da Assembleia Nacional (1937), chefe de gabinete do Ministro da Instrução Pública Eusébio Tamagnini (1934-1936), subsecretário de Estado (1940-1945) e, finalmente, de 4 de maio de 1961 a 4 de dezembro de 1962, Ministro da Educação Nacional. Membro da Academia das Ciências de Lisboa, foi também Académico de Número e Presidente da Academia Portuguesa de História, de 1960 a 1962. Carreou decisivos materiais para a história da Universidade de Coimbra, numa extensa série de estudos. Recebeu honras e condecorações diversas dos governos português, brasileiro e italiano.
Diretor da Biblioteca Geral durante 25 anos, com breve interrupção durante o exercício do cargo de M.E.N., a ele se deve o estabelecimento do programa final e o cuidado acompanhamento do projeto do novo edifício, a sua abertura ao público e a profunda renovação dos quadros de pessoal que lhe anda associada.
Foi também o responsável pela mudança de nome de Biblioteca Central (conforme a legislação de 1901 e 1911) para Biblioteca Geral. Durante a sua direção, foram incorporadas na BGUC as bibliotecas do Visconde da Trindade e de Pedro de Moura e Sá. Realizou uma notável obra editorial que deu estrutura ao plano de publicações da BGUC.
Damião António Peres nasceu em Lisboa, a 8 de julho de 1889, onde se veio a formar. Começou por fazer carreira como professor do Liceu, desde 1911 até 1918, e ocasionalmente Reitor, no Funchal e em Lisboa (Liceu Gil Vicente). Integrou a Faculdade de Letras do Porto, criada em 1919 por Leonardo Coimbra, onde se manteve até à sua extinção em 1927/28. Em 1929, foi convidado para Professor da Faculdade de Letras da UC, onde ingressou em 1930. Doutor Honoris causa por Montpellier e Bordéus, foi um dos fundadores da Academia Portuguesa de História e membro da Academia das Ciências de Lisboa, onde foi secretário-geral. Faleceu no Porto, a 26 de outubro de 1976.
Professor universitário, académico, historiador de alargados interesses e cobrindo épocas muito diversas é, talvez, mais conhecido por ter dirigido a monumental História de Portugal (1928-1954) da Companhia Editora do Minho, também dita de Barcelos. Foi um distinto numismata, tendo catalogado as moedas indo-portuguesas do Museu Municipal do Porto. O seu nome foi homenageado na toponímia desta cidade e de diversas vilas portuguesas. Também fundou e dirigiu primeira Revista de Estudos Históricos (1924). Depois de jubilado, não deixou de investigar, de publicar e de trabalhar, vindo a ser diretor do Museu Numismático Português, anexo à Casa da Moeda.
Foi Diretor da BGUC, entre 1940 e 1943. Reconduzido nesse ano, manteve-se até ao ano seguinte, quando vai para Lisboa desempenhar o cargo de Diretor do Museu Numismático Português e alguns outros cargos políticos. Tal como não fez escola na FLUC, na sua área da história da Expansão portuguesa, também não deixou marcas relevantes na organização da BGUC, tendo, contudo, redigido o primeiro e muito ambicioso programa do “novo edifício”, onde se previa uma sala de leitura geral para 300 utilizadores, além de duas salas especiais para consulta das coleções de Música e de Estampas e ilustrações avulsas.
João da Providência Sousa Costa nasceu em Viana do Castelo, a 26 de junho de 1893. Licenciado em Filologia Germânica em 1916, doutorou-se em 1919. Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, além dos cargos de Diretor dos Institutos Alemão, Norte-Americano e de Estudos Portugueses, também desempenhou funções de Secretário e de Diretor da sua Faculdade (1939-1944; 1955-1963), tendo lecionado Bibliologia e Biblioteconomia no Curso de Bibliotecário-Arquivista. Em 1963, foi reitor substituto da Universidade. Faleceu em Coimbra, a 10 de março de 1965.
Estudou na Alemanha durante um período difícil, pessoal e politicamente. Grande erudito, publicou uma vasta obra que inclui conferências e traduções. À sua iniciativa, apoio e sugestões se deve a criação da quase totalidade das revistas publicadas pela Faculdade de Letras de Coimbra, a criação dos cursos de férias da mesma Faculdade e até a instalação do Goethe-Institut em Portugal. Ainda hoje os seus descendentes o recordam como um verdadeiro “homem de família”, adicionando às suas competências científicas a memória de uma assinalável dimensão moral e cidadã. Foi agraciado a título póstumo como “Cidadão de Honra” de Viana do Castelo, em 2019.
Entre 1932 e 1933, esteve nomeado Diretor da Biblioteca Geral da Universidade, em comissão de serviço, vindo a ser seu Diretor efetivo entre 1934-1936 e 1938-1940. Durante este período, foi organizada a secção de Manuscritos e Impressos Musicais e conseguiram reaver-se valiosíssimos códices musicais, o que impulsionou as primeiras tentativas de catalogação destes fundos (Inventário dos Inéditos e Impressos Musicais, 1937), infelizmente pouco rigorosa e incompleta. Foi durante a sua administração que se estabilizou o funcionamento da Leitura Noturna na Biblioteca Geral, mediante um Decreto próprio, de 23 de maio de 1934, com recurso a horas extraordinárias, e que se manteve em vigor até ao século XXI. Promoveram-se ainda muitos cursos e conferências de extensão universitária, que foram publicados. Não deve deixar de se mencionar durante a sua direção a criação do Curso de Bibliotecário-Arquivista na FLUC, que tantos benefícios trará à Biblioteca Geral.
Joaquim de Carvalho nasceu na Figueira da Foz, em 1892. Licenciou-se na Universidade de Coimbra, primeiro em Direito (1914) e, depois, em Filosofia (1915). Estudioso, entre outros, da obra de Pedro Nunes, Francisco Sanchez, Luís Antonio Verney, Antero de Quental e Espinosa, destacou-se como um dos mais importantes historiadores da cultura filosófica portuguesa. Faleceu em Coimbra, a 27 de outubro de 1958.
Começou a sua carreira universitária como assistente em Filosofia (1916) e doutorou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1917, com uma dissertação sobre António de Gouveia e o Aristotelismo da Renascença. Em 1918, publicou a sua tese sobre Leão Hebreu, filósofo, ascendendo ao magistério universitário. Foi Secretário da Faculdade de Letras de 1921 a 1935, Diretor do Instituto de Filosofia, em 1926, e Diretor do Laboratório de Psicologia Experimental da mesma Faculdade, entre 1938 e 1939. Fundou e dirigiu uma Biblioteca Filosófica e uma notável Revista Filosófica (1951-1958).
Entre janeiro de 1927 e agosto de 1931, a convite do então Reitor, Doutor Fernando de Almeida Ribeiro, foi Diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Neste cargo a sua atividade foi marcada por um pendor editorial, que lhe vinha do ativíssimo exercício na direção da Imprensa da Universidade, entre 1921 e 1934. A par da atividade meramente tipográfica, a Imprensa sob a sua administração assumiu, de forma muito evidente, o papel de uma verdadeira editora, e para mais pouco alinhada com o Regime político vigente. Para o afastar da Biblioteca, e durante um período de férias escolares, extinguiu-se o lugar de diretor vitalício e para o retirar da direção da Imprensa, esta foi simplesmente extinta por Salazar, em 1934.
José Ernesto Marques Donato nasceu em Coimbra, em 1871, e foi nomeado para ocupar um modesto lugar de «amanuense» na Biblioteca, exerceu-o com reconhecido valor e capacidade, vindo a matricular-se simultaneamente na Universidade e a obter o grau de Bacharel. «Oficial» em 1918, quando publica a sua primeira obra Os desacatos em Portugal, chegará a «Conservador» da Biblioteca em 1923 e a «Bibliotecário», em 1926/27. Exerceu vários períodos na direção da Biblioteca como substituto/interino, nas direções de Joaquim de Carvalho e de Providência Costa, em 1923-1926; 1931-1934; 1936-1938, etc.
Toda a família de Ernesto Donato estava envolvida na UC, tendo o seu pai, José Marques Perdigão Donato (1845-1926), sido também «conservador da Biblioteca» e substituto do diretor. O irmão, António Augusto Marques Donato, foi guarda-mór da Universidade e o tio, Francisco Lopes de Lima Macedo Júnior (1858-1939), que fora também «empregado interino» da Biblioteca, veio a ser regente da cadeira de música até à sua extinção e um conhecido compositor de récitas de quintanistas. Como autor, escreveu a peça «Vid’airada», a canção «Máguas» com música de seu tio Francisco Lopes de Lima Macedo e uma opereta intitulada «Entre duas Avé-Marias», de parceria com Matos Miguens, cujo original se conserva integralmente (texto e partitura orquestral) no Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Dirigiu o bi-semanário de propaganda democrática e social «Humanidade» (1912-1915) e são-lhe referidas, ao lado de vários estudantes ligados ao Teatro e à Tuna, inclinações republicanas e maçónicas. Foi Diretor do jornal O Despertar durante quase 30 anos. Em 1918, subscreveu uma homenagem da cidade de Coimbra a Sidónio Pais. Foi, contudo, o confrade nº 258 da Confraria da Rainha Santa Isabel, em Coimbra.
Na Biblioteca, fez larguíssimo trabalho de catalogação, mostrando (sempre com modéstia) larga erudição e claros dotes de investigação. Adaptou e publicou o Catálogo dos Manuscritos, preparado por Simões de Castro. Publicou o Catálogo das Dissertações Manuscritas da Universidade de Coimbra (1917-1934), o dos Cimélios ou Reservados (1922-1925), dos Manuscritos de João Pedro Ribeiro (1920-1934), da coleção dos Vilancicos (1929) e preparava Índices da revista O Instituto, que não chegou a publicar.
Nasceu em Santa Maria da Cabração (Ponte de Lima), em 14 de outubro de 1866. Recebeu ordens sacras no Seminário de Braga, obteve o grau de Doutor pela Faculdade de Teologia no ano de 1900 e foi capelão da Capela da Universidade de Coimbra. Foi professor de Grego e de Hebraico no Liceu de Coimbra (1901-1903; 1906- 1909) e na Faculdade de Teologia, de que também foi Secretário. Em 1911, com a extinção desta Faculdade, transitou para a Faculdade de Letras. Foi ainda professor, a partir de 1915, na Escola Normal Superior de Coimbra, inspetor do Ensino Primário (1901-1906) e membro do Conselho Superior de Instrução Pública. Morreu em Coimbra, em 17 de janeiro de 1924.
Desempenhou um papel de relevo na história do ensino em Portugal. Pedagogo e pioneiro dos estudos de Psicologia Experimental em Portugal (a investigação científica levou-o a França, à Suíça e à Bélgica), fundou, em 1913, o Laboratório de Psicologia Experimental, que dirigiu até à sua morte. Republicano ativo, a par de uma intensa atividade profissional, desempenhou funções públicas e exerceu cargos políticos significativos: Chefe do Gabinete do Presidente do Governo Provisório (1911), Presidente da Câmara dos Deputados, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra (1918-1921), Deputado (1919 e 1921) e Ministro do Trabalho (1921-1922). Em 1904, foi distinguido com a comenda da Ordem de Santiago.
Foi Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra, de 1916 a 1924. Durante a sua administração, em que entrou em vigor um novo Regulamento da Biblioteca da Universidade de Coimbra, publicado no Diário do Governo, 1.ª Série, nº 222, de 31.10.1919, prosseguiu os esforços do seu antecessor para a modernização dos equipamentos e dos processos de acesso às espécies na Biblioteca, promovendo a conclusão da nova sala de leitura da Biblioteca e a construção de um "moderno depósito de livros", para guarda e exposição de cimélios. Impulsionou muito a organização e o desenvolvimento dos catálogos e deu início à elaboração do Catálogo dos Reservados.
Nascido em Sousela (Lousada) a 29 de agosto de 1869, doutorou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1898, ano em que iniciou a atividade docente como lente substituto de Direito Eclesiástico. De 1901 a 1910, foi regente de Ciência Económica e Direito Económico, tendo lecionado, também, História das Instituições do Direito Romano, Direito Eclesiástico Comum, Administração Colonial e Finanças. Entre 1913-1915 (o mesmo período em que dirigiu a Biblioteca da Universidade) foi diretor da Faculdade de Direito, onde a sua capacidade reformadora se espelhou na renovação das instalações, na criação do Instituto Jurídico e da sua biblioteca e na execução da reforma dos estudos jurídicos, no âmbito da qual publicou, com José Alberto dos Reis, as obras A Faculdade de Direito e o seu ensino (1907) e O ensino jurídico na França e na Itália (1910), entre outras. Foi redator da Revista de Legislação e Jurisprudência. Morreu em Coimbra, prematuramente, em 17 de março de 1916, com a idade de 46 anos.
São-lhe unanimemente reconhecidas a total dedicação e competência com que desempenhou todas as tarefas e cargos que assumiu, demonstradas também na extensa e consistente obra publicada, de grande diversidade temática. Sem filiação partidária, interveio com igual empenho na vida pública, tendo exercido os cargos de Presidente da Câmara Municipal de Coimbra (1905 a 1910) e de Ministro da Marinha e do Ultramar no último governo da Monarquia (26 de junho a 5 de outubro de 1910).
Foi Diretor da Biblioteca da Universidade de 20 de setembro de 1913 até 1915 ou 1916. Durante este período, em que conseguiu melhores salários para os empregados do quadro da Biblioteca, iniciou-se a publicação do Boletim Bibliográfico da Biblioteca da Universidade de Coimbra, que substituiu o Arquivo Bibliográfico (1901-1913), dando cumprimento ao preceituado no Decreto de 4 de setembro de 1913, sobre a obrigação de entregar ao Inspetor das Bibliotecas Eruditas e Arquivos uma relação das publicações portuguesas recebidas ao abrigo da Lei da imprensa. Na sua direção, concluiu-se a nova Sala de Leitura, e modernizou-se o sistema de catálogos, para os quais mandou fabricar um móvel, a «peça fixa», uma peça maciça de mobiliário constituída por gavetas para arrumação dos verbetes.
Joaquim Mendes dos Remédios nasceu em Nisa, no distrito de Portalegre, em 21 de setembro de 1867. Fez os preparatórios no Liceu de Portalegre, matriculou-se na Universidade de Coimbra, no primeiro ano de Teologia, em 1888/89, e licenciou-se em 1894. Doutorou-se em 1895 e, logo em 1896, foi nomeado professor da Faculdade de Teologia. Com a criação da Faculdade de Letras, em 1911 – de que foi bibliotecário (1911-1925) e Diretor (1925-1930) –,veio a reger aí as cadeiras de Literatura Portuguesa, Filologia Portuguesa e Hebraico. Fundou a revista Biblos e o Boletim do Instituto Alemão. Entre 1911-1913 e, novamente, em 1918-1919, ocupou o cargo de Reitor da Universidade de Coimbra, tendo fundado a prestigiada Revista da Universidade de Coimbra (1912). Veio a falecer em Santo Varão (Montemor-o-Velho), em 30 de setembro de 1932.
Autor de vastíssima bibliografia, publicou, entre outros, Pátria e família (1891), Os judeus em Portugal (1895), Uma Bíblia hebraica da Biblioteca da Universidade de Coimbra (1903), Moedas romanas da Biblioteca da Universidade de Coimbra (1905), Os judeus portugueses em Amsterdam (1911) e A Universidade de Coimbra perante a nova reforma dos estudos (1912). Dirigiu, desde 1898, a coleção Subsídios para Estudo da Literatura Portuguesa, onde publicou numerosos trabalhos da sua autoria. Foi sócio efetivo do Instituto de Coimbra, vogal do Conselho Superior de Instrução Pública e Secretário do Conselho de Arte e Arqueologia da Segunda Circunscrição. Durante uns dias de 1926, de 3 a 19 de junho, chegou a ser Ministro da Instrução Pública no famoso governo presidido por Mendes Cabeçadas.
Entre 1900 e 1911, foi diretor interino da Biblioteca Geral da Universidade e diretor efetivo, entre 1911 e 1913, apesar de, ainda em 1911, em virtude das suas funções de Reitor, ter sido interinamente substituído pelo seu amigo Francisco Martins. Como Diretor da Biblioteca, a ele se deve nova organização da coleção de numismática, dos gabinetes dos Cimélios e de Super-Libros e Ex-Libris, a fundação do Arquivo Bibliográfico da Biblioteca, a remodelação dos serviços de catalogação e o levantamento de um plano de alargamento e ampliação dos edifícios da Biblioteca, já então acanhados e insuficientes.
Nasceu em Campo Maior em 1848, mas a sua vida é mal conhecida antes de ter iniciado um percurso académico, muito tarde, aos 31 anos: matriculou-se em Teologia em 1879, licenciou-se em 1885 e doutorou-se no ano seguinte, vindo assim a ser colega, por exemplo, do célebre António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, muito mais novo do que ele. Professor da Faculdade de Teologia, com a extinção daquela (1911) foi reconduzido na Faculdade de Letras e aí ficou colocado no 4º Grupo (História). Não se lhe conhecem estudos relevantes nesta área, tendo publicado apenas uma Oração funebre... nas exequias... de... D. Luiz I (1890), Religião e patriotismo : sermão… (1891), Portugal : discurso… (1892) e Religião e Sciencia (1894). Foi Comendador da Ordem de Cristo, a partir de 1890. Faleceu em 1916.
Presbítero de índole generosa, Francisco Martins apoiou ao longo da vida alguns estudantes que demonstravam maiores capacidades e amor ao estudo, mas estabeleceu uma especial relação com o prometedor Joaquim Mendes dos Remédios, que conseguiu transferir do seminário de Portalegre para Coimbra. A proximidade dos dois quase conterrâneos fica evidenciada pelos livros em Português, Francês e Latim que lhe ofereceu da sua biblioteca e que, pela mão do afilhado Mário Brandão, vieram a integrar os fundos documentais da Biblioteca Geral.
Francisco Martins foi diretor interino da Biblioteca em duas ocasiões: o primeiro período (1895?-1900) decorreu da necessidade de substituição interina de José Maria Rodrigues, nomeado Bibliotecário efetivo em 9 de março de 1894, mas que estava em Lisboa, participando na reforma do Ensino Secundário e, em comissão de serviço, desempenhando o cargo de reitor do Liceu Nacional Central de Lisboa; o segundo período vai de 1911 a 1913? e dá-se pela necessidade de substituição de Joaquim Mendes dos Remédios, durante o primeiro reitorado deste. Não obstante a interinidade das situações, será o primeiro a intitular-se «Diretor» da Biblioteca, em 1897. Antes dele, os responsáveis assinavam sempre com o título «Bibliotecário da Universidade», tal como tinha sido previsto nos Estatutos pombalinos. Talvez por sua intervenção, a nova Reforma dos estudos da Universidade de Coimbra (dez. 1901) consagrará definitivamente o lugar de «Diretor». Trabalhou na conceção e publicação do Catálogo Metódico, uma classificação detalhada para a arrumação de espécies nas estantes das bibliotecas eruditas, e cuja primeira edição data de 1900.
José Maria Rodrigues nasceu em Gondim, Valença do Minho, em 27 de junho de 1857. Após a frequência do Seminário em Braga, onde concluiu o curso teológico, terminou os preparatórios e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1878, com 21 anos. Concluiu os três primeiros anos deste curso e, em 1881, matriculou-se em Teologia, licenciando-se em 1886. Recebeu o grau de doutor em 1888, com uma tese intitulada Pensamento e Movimento. Foi nomeado lente substituto e, em 1890/91, passa a reger a cadeira de Hebraico. «Depois de ter dedicado grande parte da sua vida à generosa aspiração de tornar a epopeia camoniana a base da educação nacional», veio a falecer em Lisboa, a 20 de janeiro de 1942.
Camonista insigne, filólogo e polemista aguerrido, desempenhou funções de capelão da Universidade e de secretário da Faculdade de Teologia, mas interrompeu a docência universitária em Coimbra para colaborar na reforma do ensino secundário. Entre 1895 e 1902, foi reitor do Liceu do Carmo, em Lisboa, transitando neste ano para o Curso Superior de Letras que, em 1911, deu origem à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde veio a ensinar todas as matérias do grupo de Filologia Clássica. Foi Diretor do Centro de Estudos Filológicos da Universidade de Lisboa, sócio da Academia de Ciências de Lisboa, sócio correspondente da Academia da Língua de Madrid e da Academia Brasileira de Letras. Em abril de 1922, já titular em Lisboa, foi doutorado Honoris causa pela Universidade de Coimbra, em Filologia Românica. Grande Oficial da Ordem da Instrução.
Titular do cargo de Bibliotecário da Biblioteca da Universidade, de 1894 a 1911, todo o seu exercício foi nominal porque manteve funções permanentes em Lisboa durante todos esses anos. Nomeado em 9 de março de 1894, foi logo substituído interinamente, primeiro por Francisco Martins e, depois, por Joaquim Mendes dos Remédios. Durante a sua direção, foi preparado e apresentado por um arquiteto de Lisboa (José Alexandre Soares, 10 jan. 1910) um projeto de ampliação de «uma nova sala e suas dependências», um moderno edifício de arquitetura de ferro que não chegou a construir-se.
Sécs. XVI a XIX
Nasceu em Coimbra, a 3 de agosto de 1845. Estudou em casa, sob a orientação do tio Joaquim Augusto Simões de Carvalho, lente da Faculdade de Filosofia, só se matriculando no Liceu em 1857. Em outubro de 1863, ingressa na Faculdade de Teologia, sendo obrigado, por doença, a interromper os estudos. Retoma-os em 1866, desta vez na Faculdade de Direito, onde obtém o grau de bacharel em 1870 e se forma em 1871. Mais interessado, no entanto, pelas suas investigações e estudos, a que se dedicava desde os tempos de estudante, concorre a um lugar de aspirante no telégrafo-postal, tornando-se funcionário dos Correios de Coimbra. Vem a falecer nesta cidade, em 19 de abril de 1932.
Em 1871, ainda estudante, foi nomeado sócio efectivo do Instituto de Coimbra onde secretariou a Secção de Arqueologia e integrou várias comissões de redação da revista O Instituto. Escreveu para o Archivo Pittoresco, publicou O Guia Histórico do Viajante em Coimbra e arredores..., O Guia do Viajante no Buçaco, fundou as revistas Panorama Photographico e Portugal Pittoresco, destacando-se na sua bibliografia os numerosos escritos dedicados a Coimbra e à sua região.
«Bibliófilo e bibliógrafo muito distinto e erudito», assíduo frequentador da Biblioteca e conhecedor dos seus fundos, auxiliava já a instituição na tarefa de reorganização dos catálogos ao tempo da direção interina de A. Filipe Simões, de quem foi continuador. Em 1884, por portaria reitoral de 23 de fevereiro, foi nomeado «para continuar a catalogação e inventários …e substituir nos seus impedimentos o lente bibliotecário Bernardo de Serpa», situação que se manterá até 1894, data em que José Maria Rodrigues é nomeado Bibliotecário, porém sem chegar a exercer. Trabalhou na Biblioteca da Universidade durante mais de quarenta anos, tendo deixado o seu nome ligado à elaboração do catálogo de manuscritos e à catalogação dos reservados, bem como ao Archivo bibliographico da Bibliotheca da Universidade e ao Boletim Bibliográfico da Biblioteca da Universidade, onde amplamente colaborou.
Nasceu em Coimbra, a 18 de junho de 1835. Licenciou-se em Filosofia e Medicina (1872), Doutor em Medicina (1872), foi Lente Substituto (1873) e Lente Catedrático (1882) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Durante o longo período da rotineira direção de Bernardo de Serpa Pimentel na Biblioteca da Universidade, Augusto Fellipe (como assinava) Simões foi proposto para a direção pelos professores seus colegas, que viam nele «um erudito e um disciplinador», muito necessário à correção das insuficiências da Biblioteca. Foi nomeado Bibliotecário interino por Portaria reitoral de 3 de janeiro de 1879 e teve aí uma intervenção exemplar até 1 de novembro de 1884, quando faleceu.
Em 13 de janeiro de 1859, tornou-se sócio efetivo do Instituto de Coimbra, onde desenvolveu importante atividade, empenhando-se particularmente na criação da sua Secção de Arqueologia e do respetivo museu, cujo catálogo redigiu. Entre a sua vasta bibliografia, destacam-se: Reliquias da architectura romano-byzantina em Portugal... (1870), Da architectura religiosa em Coimbra durante a Edade Media (1875), Introdução à archeologia da Península Ibérica (1878). Foi Académico da Academia das Ciências de Lisboa. Enquanto foi professor e residiu em Évora, tinha sido Bibliotecário da Biblioteca Pública da cidade, de 1864 a 1872. Publicou um Relatório acerca da Biblioteca Pública de Évora (1865) e o Relatório Acerca da Renovação do Museu Cenáculo (1869). Foi editor do semanário Archivo Pittoresco e colaborou em inúmeros periódicos: em Lisboa, Artes e Letras, Arte, Ocidente, e Boletim Architectonico e D'Archeologia da Real Associação dos Arquitetos e Arqueólogos Portugueses. Em Coimbra, além da revista O Instituto, participou no Recreio Juvenil, Prelúdios Literários, Revista Académica (2ª. série), Literatura Ilustrada, Panorama Fotográfico de Portugal, Portugal Pitoresco, Amigo do Estudo, Gazeta de Coimbra, O Conimbricense e Tribuno Popular.
Na Biblioteca da Universidade, criou dinâmicas de equipa, envolvendo todos os funcionários, apesar da fraca motivação e dos desatualizados vencimentos, e dedicou especial atenção à preservação e segurança do espólio documental, com a catalogação sistemática dos milhares de livros provenientes dos fundos dos conventos extintos.
Nasceu na Covilhã, a 15 de dezembro de 1826. Matriculou-se no Curso de Filosofia em 13 de outubro de 1848, em Matemática em 13 de outubro de 1849 e em Medicina em 13 de outubro de 1852. Bacharel em 3 de julho de 1856, licenciado em 9 de julho de 1859 e Doutor em 17 de julho de 1859. Foi Secretário da Faculdade de Medicina de 1861 a 1865, Administrador interino dos Hospitais da Universidade de 1886 a 1889 e efetivo de 1889 a 1902; Decano e Diretor da Faculdade de Medicina, de 1891 até 1893. Faleceu em Coimbra, a 11 de janeiro de 1903.
Envolvido na ala esquerda do Partido Histórico, tinha enorme capacidade de trabalho, tendo colaborado em várias revistas e jornais: no jornal político Liberdade (Coimbra, 1863-1866), e ainda O Instituto, Anuário Académico e Portugal Pittoresco. Publicou, entre outras obras, Memória histórica e comemorativa da Faculdade de Medicina… (1873), Oração de sapiência recitada na Sala dos Actos Grandes da Universidade de Coimbra no dia 16 de Outubro de 1886 (1887) e Analyse e refutação do folheto do Sr. Dr. Sousa Refoios… (1895).
Nomeado interinamente (Portaria de 6 de julho de 1871) para substituir Bernardo de Serpa Pimentel, intempestivamente exonerado pelo governo, não chegou a exercer na prática a direção da Imprensa, como o seu antecessor. Exerceu, contudo, uma decisiva influência na Biblioteca, cujas questões da não lhe eram totalmente estranhas: tinha participado na comissão nomeada para o Inventário da Livraria do Real Colégio de S. Pedro (1864). Com efeito, escassos 40 dias depois de ter tomado posse, conseguiu entregar um desenvolvido relatório que constitui uma peça essencial para a história da instituição e que permite considera-lo o verdadeiro autor de algumas melhorias que Bernardo de Serpa Pimentel, reconduzido no cargo por Decreto de 26 de maio de 1872, viria a implementar. Isabel Ramires sugere mesmo que se lhe deve a maior parte do novo Regulamento (1873) e, sobretudo, a decisiva passagem do catálogo dos pesados volumes manuscritos para as fichas móveis, os famosos «verbetes», que Serpa Pimentel tão entusiasticamente haveria de defender depois. Numismata competente, também tomou a seu cargo a classificação das moedas e medalhas e ordenou para a Biblioteca um expositor adequado a essas espécies.
Bernardo de Serpa Pimentel nasceu em Coimbra, a 26 de abril de 1817. Formou-se em Leis, em 1839 e, sucessivamente, foi Lente substituto, Lente de Prima, Decano e Diretor daquela Faculdade. Chegou a Vice-Reitor (1883-1885) e foi o académico nº 1678 da Academia de Ciências, Par e Grande do Reino. Faleceu em Coimbra, em 9 de fevereiro de 1895.
Publicou as suas alocuções na Camara dos Dignos Pares do Reino e algumas das proferidas em atos académicos mas da sua especialidade pouco fez imprimir, apenas a Isenção da Real Capella da Universidade… e uns apontamentos litografados (sebenta) de Theoria do processo, sendo talvez mais recordado como autor de um opúsculo sobre a Biblioteca, intitulado Breve notícia da Livraria da Universidade de Coimbra (1877?).
Teve um dos mais longos mandatos registados na direção da Biblioteca da Universidade: por portaria de 11 de janeiro de 1849, foi autorizado a exercer funções, em regime de substituição, durante as ausências de seu pai, Manuel de Serpa Machado, tanto na direção da Biblioteca como na da Tipografia da Universidade. Foi nomeado Bibliotecário em 20 de abril de 1858, exonerado em 1871, por terem sido desanexados por Decreto os dois cargos de direção, na biblioteca e na Imprensa. Novamente nomeado em 25 de maio de 1872, ficou no cargo até à aposentação, em 17 de fevereiro de 1894, e tendo voltado a ocupar o cargo de Diretor da Imprensa da Universidade. Este longo «consulado» de Serpa Pimentel não terá sido dos mais tranquilos nem dos mais dinâmicos, sempre atrás dos objetivos propostos (reduzidos já em relação a ambições anteriores), com a desculpa da insuficiência dos recursos em verbas e em pessoal. No tempo da sua efetividade, exerceram a direção da Biblioteca de forma interina A. Filipe Simões e Augusto Mendes Simões de Castro. No ano de 1871/72 assumiu em sua substituição Bernardo A. Serra de Mirabeau.
Apurado que não foi ele o proponente dos catálogos em verbetes (fichas soltas) nem talvez o principal autor do Regulamento de 1873, também se pode suspeitar de que não tenha tido sua a ideia de imprimir os catálogos, embora o prelo Haas-Galinha tenha sido comprado durante a sua administração (nominal) para esse efeito. No Relatório de 1874, refere-se às experiências de impressão que realizou, contudo sem resultados práticos.
Nasceu a 16 de março de 1793 em Tendais (Cinfães). Doutorou-se em Leis em 2 de julho de 1817 e ingressou no ano seguinte na carreira académica, mas viu-se foi forçado a abandonar a Universidade e a cidade sob o Governo de Dom Miguel. Voltou seis anos depois com a restauração do governo liberal, sendo nomeado lente da Faculdade de Leis, por decreto de 2 de junho de 1834. Foi Diretor da Faculdade de Direito e Reitor da Universidade, muito contestado pelos estudantes, tendo-se jubilado como Lente de Prima por decreto de 6 de dezembro de 1860. Faleceu em Coimbra, a 16 de dezembro de 1881.
Deputado vintista e depois do regime cartista, colaborou na elaboração da Constituição Política da Monarquia Portuguesa, de 1822. Foi Fiscal da Fazenda e Estado da Universidade e Deputado da Junta da Fazenda da Universidade. Fidalgo cavaleiro da Casa Real, Par do reino, elevado a 1º visconde de São Jerónimo por decreto de D. Luís I, de 5 de novembro de 1862. Publicou, entre outros trabalhos, os Discursos recitados em Cortes como deputado e na Universidade como professor e reitor e uma Memoria sobre a fundação e progressos do Real Collegio das Ursulinas de Pereira (1850).
Na Biblioteca da Universidade, substituía nos seus impedimentos Manuel Serpa Machado sendo nomeado interinamente por portaria de 9 de janeiro de 1841 e provido efetivamente em 1858 (por morte de Manuel Serpa Machado), cargo que ocupou o até à sua jubilação. Contudo, pouca assistência pode ter dado à administração da Biblioteca, pois serviu também como Diretor Geral do Ensino Primário e Secundário (1842), como vogal daquela Direcção-Geral (1845) e Vice-Presidente do Conselho Superior de Instrução Pública. Tampouco pode ter exercido efetivamente durante o período que coincide com o do seu mandato reitoral.
Nasceu a 13 de setembro de 1804 no Funchal, onde estudou até ingressar na Universidade de Coimbra, em 1825. O seu percurso académico foi perturbado pela guerra civil, tendo de abandonar os estudos devido às suas opções liberais. Esteve preso pelos miguelistas e só veio a fazer o exame de 4º grau e a obter o bacharelato em 1835. Fez Exame Privado e obteve a Licenciatura em Direito em 16 de março de 1837 e o grau de Doutor em 9 de abril de 1837. Foi lente substituto em 1840 e catedrático em 1852. Faleceu em Lisboa em 28 de novembro de 1865.
Ainda estudante, foi redator principal do Academico jornal politico e litterario publicado em Coimbra, de 11 de janeiro de 1836 a 28 de junho do mesmo ano. Delegado do Procurador Régio da Comarca de Coimbra em agosto de 1837, teve nessa qualidade de se defender (1838) das injustas acusações do Tesouro Público Nacional, na execução de uma dívida antiga à Junta da Fazenda da Universidade. Participou no movimento revolucionário de 1846, chegando a ser membro do governo provisório constituído na sequência da Patuleia. Deputado e membro de várias comissões parlamentares, foi um orador notável. Foi membro da Comissão de Instrução Pública no Parlamento (eleito em 1853, 1854 e 1860) e vogal do Conselho Superior de Instrução Pública. Foi sócio do Instituto de Coimbra.
Teve atividade forense e foi autor de diversas obras na área do Direito Administrativo. Publicou manuais práticos, como o Manual do rendeiro (1849) e, sobretudo, o Manual dos juízes eleitos e seus escrivães… que ainda conheceu sétima edição, em 1860, não obstante a opinião do seu contemporâneo Francisco J. Duarte Nazareth (1805-1862) ter sido de «que nada deixa a desejar» quanto às formulas e prática dos processos nas causas da competência dos juízes eleitos. O estudante Augusto Guilherme de Sousa compilou (1859) as suas lições orais no primeiro volume de Ensaio sobre as instituições de direito administrativo português.
A sua prestação na Biblioteca da Universidade terá sido curta, talvez ainda tenha prestado serviço no ano de 1841, embora o seu nome ocorra pela última vez como «Bibliotecário Interino» em documento remetido ao Vice-Reitor Interino, em 15 de novembro de 1840.
Manuel de Serpa Saraiva Machado nasceu em São João de Areias, a 4 de setembro de 1784. Liberal e maçon, chegou rapidamente a Lente de Prima da Faculdade de Leis. Foi deputado e exerceu praticamente todos os cargos académicos disponíveis no seu tempo: Vice-Conservador interino da Universidade, Procurador Fiscal da Fazenda da Universidade, Secretário e depois Diretor da Faculdade de Leis e Diretor da Imprensa da Universidade. Foi Par do Reino, do Conselho de Sua Majestade e agraciado com a comenda da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, em 1853. Faleceu em São João de Areias, a 2 de agosto de 1858.
Foi designado Bibliotecário por carta régia de 10 de dezembro de 1834, acumulando com o lugar de diretor da Imprensa da Universidade (Portaria de 13 de agosto de 1834). Exerceu a direção da Biblioteca até 1858, salvo durante alguns meses de ausência a que foi obrigado em diversas ocasiões a fim de tomar parte nos trabalhos legislativos na Câmara dos Senadores e na dos Dignos Pares do Reino, sendo substituído nesse exercício (a partir de 1841) pelo Lente da Faculdade de Direito, Basílio Alberto de Sousa Pinto.
No seu tempo, criaram-se os depósitos de livros nos pisos inferiores da Biblioteca da Universidade, onde funcionara a prisão académica. Neles se acolheram as livrarias provenientes do Colégio dos Militares, do Colégio de S. Paulo, de S. José dos Marianos e parte da livraria do Colégio de S. Bento e do Convento de Santa Cruz. Em 1839, foi incorporada na Biblioteca a livraria de João Pedro Ribeiro, notável pelos seus manuscritos. Sob a sua direção, nem sempre as dotações obtidas para as compras eram todas executadas, mas foram concluídos diversos catálogos, da mão do oficial José Mendes Dinis. A situação da Biblioteca no final do mandato de Serpa Machado (exercendo já interinamente o seu filho Bernardo de Serpa Pimentel motivou a criação de uma comissão para o seu «Exame», que no ano letivo de 1854/55 fez propostas para tentar corrigir a desatualização dos catálogos e o descaminho dos livros «que se acharem por fora». Barreto-Feio escusa-se a emitir um juízo sobre o exercício de Manuel de Serpa Machado, em 1857, seguro indício de que tal juízo só podia ser pouco satisfatório.
Na documentação universitária conservada, António Honorato de Caria e Moura afirma-se natural do Cartaxo, desconhecendo-se, todavia, a data do seu nascimento. Parece erro andar-lhe associada a data de 1746, porque tendo-se matriculado em Filosofia e Matemática a 10 de outubro de 1796, teria em circunstâncias normais nascido no final da década de 70 do século XVIII. Licenciado em Filosofia, doutorou-se em Matemática, a 28 de abril de 1805. Foi Lente de Geometria, de Foronomia e Hidráulica e Vereador do Corpo da Universidade, a partir de 1814. Faleceu a 16 de novembro de 1843.
Foi demitido em 15 de julho de 1834, por motivos políticos. A sua reintegração na Universidade foi pedida em 1837, em Conselho da Faculdade de Matemática, devido ao seu merecimento literário, «reconhecido em todo o Reino». Todavia, foi jubilado por decreto de 12 de janeiro de 1837, embora logo nomeado para Diretor do Observatório Astronómico, onde esteve um ano. Além da colaboração assídua e da revisão das Ephemerides Astronomicas publicadas pelo Observatório da Universidade de Coimbra, deixou memórias sobre diversos pontos da Geometria, Análise e Mecânica, Geometria Sintética e Tábuas para abreviar o cálculo das ascensões. Foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra, em 1842.
Nomeado Bibliotecário interinamente, em 7 de maio de 1814, a sua nomeação veio ser confirmada por carta régia de 6 de julho de 1815, tendo ocupado este cargo (que acumulou com o de bibliotecário da sua Faculdade) por um período de quase vinte anos. Foram da sua iniciativa alguns benefícios no edifício, melhorando os «gabinetes de leitura» e criando o primeiro gabinete do Bibliotecário, onde se acumularam os «Cimélios», adquirindo inúmera bibliografia e realizando ele próprio os catálogos de Direito Civil e Romano, História, Geografia e Miscelânea Literária. Destaca-se no seu tempo a compra da bíblia hebraica, códice em pergaminho do século XV, adquirido na Holanda pelo Doutor Manuel Pedro de Melo.
Nasceu no Porto, a 31 de agosto de 1746. Professor, jurista e político, formou-se na Faculdade de Leis em 1765, exercendo advocacia no Porto até novembro de 1772, data em que é chamado à Universidade de Coimbra para fazer parte do corpo docente na reformada Faculdade de Leis. Na Faculdade de Leis, foi designado, em janeiro de 1790, para reger a primeira cadeira de Instituta e, em abril de 1795, nomeado para a regência da cadeira de Direito Pátrio. Aí permanecerá até à sua jubilação, em 1802. Faleceu em Lisboa, a 7 de maio de 1827.
Os seus interesses literários e o conhecimento de línguas (francês, inglês, alemão, espanhol, latim e grego antigo) levaram-no a traduzir do alemão as Pastorais, de Gessner (Porto, 1778) e do grego a Poética, de Aristóteles (Lisboa, 1779). Deixou manuscritas diversas memórias históricas e a monografia A Serra de Sintra. Na área do Direito, salientam-se as suas Preleções de Direito Pátrio, posteriormente publicadas em O Instituto e no Jornal de Jurisprudência.
Foi Deputado da Junta da Fazenda da Universidade, Cónego Doutoral da Sé de Elvas (1788), e depois da Sé de Faro (1792) e da Sé de Évora (1799), Deputado da Inquisição de Coimbra (1789), Censor Régio do Desembargo do Paço, membro do Governo do Reino e da Regência do Reino (1810-1820) e Conselheiro de Estado (1823). Foi ainda cavaleiro da Ordem de S. Tiago da Espada e sócio da Academia Real das Ciências e do Instituto de Coimbra.
Sucedeu como Bibliotecário ao seu amigo António Ribeiro dos Santos, nomeado por carta régia de 13 de março de 1798. Da identidade de pensamento entre os dois iluministas (que toda a vida se corresponderam), dirá o terem ambos sido apontados à época como autores do panfleto anónimo O Reino da Estupidez, que abalou o governo do Principal Mendonça à frente da Universidade. Foi responsável por uma importante reforma do Regulamento da Biblioteca (7 de novembro de 1800). Supomos que ainda continuou a exercer funções por alguns meses depois de junho de 1802, altura em que foi nomeado Reitor do Real Colégio dos Nobres, em Lisboa, ou pelo menos manifestou essa vontade.
Nasceu em Massarelos, Porto, em 1745. Estudou Humanidades no Brasil e Cânones na Universidade de Coimbra, onde se doutorou e exerceu o magistério, entre 1779 e 1795, quando tem de ir para Lisboa, chamado a organizar a Real Biblioteca Pública da Corte e do Reino, atual Biblioteca Nacional, criada por D. Maria I por alvará de 29 de fevereiro de 1796. Foi membro efetivo da Academia das Ciências de Lisboa, cronista da Casa de Bragança e censor régio. Faleceu em Lisboa, em 1818.
Homem de vasta cultura, aberto à modernidade no contexto de enciclopedismo que caracterizou a Europa das Luzes, dedicou-se aos estudos linguísticos, mas, além da poesia que assinava como Elpino Duriense, foi na historiografia que mais se salientou, deixando inúmeros estudos sobre a literatura sacra e o povo hebraico, as origens e progressos da poesia portuguesa, a história das matemáticas e os primórdios da tipografia em Portugal.
Em substituição do cargo quase-medieval do «Guarda da Livraria» a reforma pombalina criou em 1772 um quadro de pessoal para a agora chamada «Biblioteca», dirigida por um «Bibliotecário». Contudo, D. José I não chega a nomeá-lo, sendo necessário que a sua filha nomeie como o «primeiro Bibliotecário», em 9 de outubro de 1777, um jovem professor de 32 anos, latinista, helenista e poeta laureado. António Ribeiro dos Santos era um iluminista esclarecido, que organizou cuidadosamente o serviço público da Livraria, fazendo até uma proposta de Regulamento (Minuta para o Regimento) que não chegou a consagrar-se em Diploma legal. A própria Rainha se encarregará de, por assim dizer, decapitar a biblioteca académica que tão bem tinha provido, encarregando-o de criar a Real Biblioteca Pública, em Lisboa.
Como Bibliotecário, tentou cumprir o desejo real de que a biblioteca «se faça patente», elaborando o documento fundador da biblioteconomia portuguesa, Minuta para o regimento da Livraria da Universidade de Coimbra, onde se define a sua organização interna, promove o enriquecimento dos fundos, ampliando-os e atualizando-os com as novidades literárias, artísticas e científicas, ainda que proibidas pela Real Mesa Censória. Propôs a instituição de depósito obrigatório das obras que se imprimissem (prefigurando o atual Depósito Legal) e que para a seleção de compras a fazer fora do país se consultassem «bibliografias, jornais, efemérides, Mercúrios e Gazetas, e outros Livros de Novas Literárias, para que se possa conhecer o estado actual das Artes e ciências entre as Nações».
Nasceu em Lisboa, em 1546. Terá estudado em Salamanca e Valladolid, ingressando tarde na carreira académica, em Coimbra. Mestre em Artes, foi, a partir de 1592, provido na cátedra de Matemática na Universidade de Coimbra, vaga desde a saída de Pedro da Cunha. Jubilou-se a 28 de setembro de 1612, mas não deixou de lecionar, tendo sido reconduzido, pelo menos, por mais quatro anos. De ascendência judaica, apesar de ter tomado ordens sacras e de ter sido aceite como Tercenário da Catedral de Coimbra, viria no final da vida a ser acusado de judaizante e condenado a prisão perpétua, por ordem da Inquisição. Morre em Lisboa, provavelmente em 1623.
Personalidade voluntariosa, sabe-se que providenciou a obtenção de um globo e de dois mapa-mundi, sendo um «de cores», pelo que foi devidamente compensado pela universidade. Publicou um Reportório dos tempos (Lisboa, 1585), várias vezes reeditado; a quarta edição, com muitas alterações feitas pelo autor, tem por título Chronographia ou reportório dos tempos, o mais copioso que até agora saiu a luz (Lisboa: Jorge Rodrigues, 1602) e onde descreve o novo calendário gregoriano. Publicou igualmente um comentário em latim ao Tratado da Esfera, de Sacrobosco, sob o título Sphaerae utriusq(ue) tabella ad sphaere huius mundi faciliorem enuncleationem (Coimbra, 1593), deixando manuscritas várias lições e estudos de astrologia judiciária.
Foi provido no cargo de «Guarda do Cartório» em 22 de agosto de 1598, mas não se conhece a sua posse em cargo equivalente da Livraria. Apesar disso, terá por essa data elaborado (de sua iniciativa?) um «Rol» ou catálogo da Livraria da Universidade e nova lista, em inícios do século XVII, onde se elencam 739 volumes. Exerceu realmente como «Guarda da Livraria», senão antes, pelo menos depois da saída de Pedro de Mariz, tendo sido responsável pelo desencadeamento dos livros, que ficaram assim mais sujeitos a levarem desencaminho. Em sua casa, quando foi preso pela Inquisição, em 1620, encontraram-se alguns que deviam pertencer à Livraria universitária.
Não obstante o assento do seu bacharelato em Cânones e a tradição, atestada por António Coelho Gasco, de ter nascido em Coimbra, parece mais acertada a tese de Eline Birnebaum de que tenha nascido em Braga, entre 1562 e 1569, enquanto o pai, António de Mariz, aí trabalhava para o arcebispo D. Fr. Bartolomeu dos Mártires. O pai veio a ser notável impressor régio da Universidade de Coimbra, a partir de 1572, e o filho foi corretor na sua tipografia. No rosto das suas obras diz-se Presbítero e licenciado, mas apenas se pode provar que foi bacharel em Cânones, com primeira matrícula em 1584 e aprovação final em 18 de março de 1595. Faleceu em Lisboa a 24 de novembro de 1615.
Nascido numa família de impressores, não admira que se fizesse homem dos livros. Interessou-se por história e por poesia. A sua obra mais conhecida intitula-se Diálogos de vária história… (Coimbra, 1594), tendo sido o primeiro a publicar, com as vidas e elogios dos monarcas, os seus retratos «verídicos». Publicou igualmente uma História do bem-aventurado São João de Sahagum (Lisboa, 1609) e a História admirável do santíssimo milagre de Sanctarem... (Lisboa, 1612), deixando outras obras em manuscrito. Deve-se ainda a Pedro de Mariz o primeiro esboço de uma biografia de Camões, trinta e três anos depois da morte do poeta, que acompanha a edição de Os Lusíadas comentados por Manuel Correia (Lisboa, 1613).
Na Universidade de Coimbra, foi nomeado «corretor das Impressões e Guarda da Livraria», em 1601, e foi incumbido pelo reitor Afonso Furtado de Mendonça (1597-1605) de mandar vir livros de Veneza e de outras terras, diligência que ele satisfez gastando nela quinhentos mil reis. Foi para estas compras de Mariz que se criou o super-libros com a insígnia universitária e se contrataram as encadernações em bezerro, cor de tâmara. Desconhece-se até que data continuou a assegurar o exercício do cargo, pois aparece nomeado escrivão da Torre do Tombo, em 20 de setembro de 1605. Passando a residir em Lisboa, com facilitado acesso à Corte e ao poder, conseguiu acumular o cargo de procurador dos presos do Santo Ofício, em 25 de setembro de 1612.
Estudou em Paris, onde ainda se encontrava por outubro/dezembro de 1536. No início do ano letivo de 1537/38, foi chamado por Frei Diogo de Murça para ensinar Lógica (Dialética) no real Colégio do Convento da Costa, em Guimarães, onde o grande humanista Nicolau Clenardo diz ter ouvido lição sua. Numa conhecida carta que escreveu a João Parvi (Petit), Clenardo assegura que «quiseram-me parecer [todos os mestres] bastante desempoeirados no seu assunto». Aí terá ensinado de 1537 a 1541. Nesse ano de 1541, já aparece integrado na universidade de Coimbra, como sucederia a outros mestres que ensinaram no Convento da Costa dos monges de S. Jerónimo: Gaspar Bordalo, Marcos Romeiro e Inácio de Morais.
Por alvará de 1 de julho de 1541, o seu ordenado seria de 30 mil réis a partir de 1 de outubro, além dos 12 mil réis de que já havia mercê por outra provisão. Nos anos seguintes, será reconduzido: encarregado de ler uma lição da Segunda Regra de Gramática, por um ano, a partir de 1 de outubro, por alvará de 19 de setembro de 1542; reconduzido na regência da Segunda Regra de latinidade por alvará de 20 de setembro de 1543 «emquanto eu houver por bem e não mandar contrairo»; nomeado lente da Terceira Regra de Latinidade com o ordenado anual de 40 mil réis por alvará de 23 de setembro de 1544. Deveria ler «pio modo & hordenança declarada nos estatutos nouos q ora êujo a esa vniuersydade», isto é, conforme os Estatutos (perdidos) dados à universidade nesse ano de 1544.
Contudo, ao contrário dos seus colegas universitários, escasseia documentação sobre António Caiado e o seu ensino. Francisco Carneiro de Figueiroa diz que ele foi Mestre de Gramática nos colégios de Santa Cruz e na universidade «e tão bem depois no Collegio das Artes, e havendo respeito a isso, lhe fez ElRey D. Sebastião mercê, por Provisão de 15 de Outubro de 1558, do officio de Feitor e Procurador do Collegio de S. Paulo e foi depois Guarda do Cartório e Livraria». O Beneficiado Leitão Ferreira ao transcrever a mesma informação, deixa claro que entende a Livraria da Universidade e não a do Colégio de S. Paulo: «e ultimamente o [oficio] de guarda do cartório, e da livraria da Universidade». Sobre o período em que tal aconteceu (porventura algures depois de 1559) não se encontrou até agora mais informação, sendo também nulas as notícias do teor do seu desempenho em tal ofício.
Pouco se sabe da vida de Fernão Lopes de Castanheda. Terá nascido por volta de 1500 em Santarém, onde Lopo Fernandes de Castanheda seria juiz de fora, antes de o ser em Estremoz (1502) e em Coimbra (1503). Estudou no Convento de São Domingos e partiu para a Índia na armada de D. Nuno da Cunha, em 1528, por o seu pai ter sido nomeado Ouvidor de Goa. Regressou a Portugal em data desconhecida (1538?), mal de saúde e de fortuna, mas rico de conhecimentos sobre o Oriente e sobre os acontecimentos que lá viu e nalguns dos quais chegou a participar, como no cerco de Diu, de 1531. Estudante em Coimbra, em 1545, foi provido como bedel do Colégio das Artes, e logrou as boas graças de D. João III, obtendo do rei um «mantimento» de 10 mil reis (25 set. 1545). Faleceu nesta cidade, em março de 1559.
Foi sepultado na hoje demolida igreja de S. Pedro e na sua campa era identificado como «escritor primeiro da história do descobrimento da Índia». Com efeito, a sua obra mais conhecida é a História do Descobrimento e Conquista da Índia pelos Portugueses, começada a publicar em 1552, em Coimbra, pelos impressores da Universidade João de Barreira e João Álvares. Pelas novidades que trazia, nomeadamente notícias acerca da China (Livro IV), conheceu logo traduções em francês, castelhano, italiano e inglês.
O reitor Frei Diogo de Murça tinha começado em 1541 a instalar a Livraria transferida de Lisboa no «guarda-roupa da rainha», adjacente à Sala Grande dos Atos, no Paço Real. Por 1545, estaria pronta, pois se mandam pagar as chaves a Martim Ferreira, em 21 de janeiro, mas faltavam os varões, fechaduras e correntes para os livros, que se deviam instalar encadeados às estantes, como era costume dessa época. O bedel Fernão Lopes de Castanheda apareceu, então, com carta real de nomeação para «guarda do cartório e livraria» (5 nov. 1545). Tomou posse do ofício de «guarda da livraria» somente, em 19 de julho de 1547, com um ordenado de 6 mil reis. Tendo desempenhado pontualmente também o cargo de «corretor das impressões» da Universidade, Fernão Lopes não chegou a ocupar-se do cartório (arquivo), que o reitor conservou ciosamente nos seus aposentos, durante muitos anos. Do seu desempenho nestes cargos, ficou opinião favorável na documentação universitária. Sobre a Livraria, terá cumprido o preceituado nos Estatutos de 1544: «abrir a porta dela, cada dia duas vezes, e de cada uma delas há de estar aberta duas horas (…) é necessário estar ele presente de cada vez ou ter um homem que olhe por isso, e assim há de ter os livros limpos, para que não envelheçam, e desempoados, para que se não comam do bicho».
Foi nomeado bedel em 21 de junho de 1532, tendo sido o último nesse cargo no período lisboeta da Universidade. O Conselho universitário mandou-o à Corte, em Évora, a 8 de agosto de 1534, para em seu nome se opor à transferência de Lisboa para Coimbra. Contudo, o bacharel Nicolau Lopes ter-se-á apercebido rapidamente de que a decisão real era irrevogável e decide apoiar a ida para Coimbra, talvez na ambição de ser professor. Em 21 de julho de 1536, toma o grau de Licenciado em Cânones. Assinará atas em Lisboa até 17 de fevereiro de 1537, e deixará de escrevê-las por ausência. E «visto como o bedel do Estudo era ido para Coimbra» (3 de maio de 1537), nomeiam em sua substituição Francisco Carvalho. Bom conhecedor dos negócios universitários, partidário da transferência desejada pelo Rei, serão manifestas a predileção e o favor real que Nicolau Lopes receberá em todas as oposições que sofreu na sua vida académica, e não foram poucas. Ignora-se quando faleceu.
Em Coimbra, na qualidade de bedel e escrivão, assenta o juramento do primeiro Reitor D. Garcia de Almeida (24 out. 1537). É nomeado para a cátedra de Terça de Cânones por um ano e doutora-se em Cânones, a 8 de novembro de 1537, retomando as funções de bedel em 6 de dezembro, mas sem abandonar o ensino. Talvez para o aliviar de trabalhos, D. João III nomeará um segundo bedel, em 11 de setembro de 1539. Nicolau Lopes aparece ainda bedel e escrivão da universidade conimbricense em 30 de julho de 1543, assinando o auto da visita à tenda do livreiro António de Santillana.
A universidade tinha «livraria» (biblioteca) desde 1503, pelo menos, quando se transferiram mais de setenta «livros de toda a ciência» das Escolas Velhas (henriquinas) para as Escolas Gerais (manuelinas), mas não subsistem documentos sobre como ela se organizava ou quem dela cuidava. O bedel Nicolau Lopes é o mais antigo «guarda» que se conhece da livraria, quando o conselho universitário lhe atribui essa responsabilidade, em 24 de janeiro de 1534. Desde 31 de agosto de 1532 que tinha a posse de uma chave da «arca do Estudo» e no fim desse ano é pago do tombo que fizera desses documentos. Mas teria feito também, com Luis Cardoso e João Landeiro, por volta de 1532-1533, um inventário da Livraria (o primeiro que se conhece), que só parcialmente se transcreverá nos livros universitários. Também se lhe deve o segundo inventário, mais completo, de 1536.