Comer "de mão" e o caso do "capitão". Corpos, identidades e resistências

Mateus Habib

28 dezembro, 2025≈ 3 mins de leitura

Autor

Mateus Habib

Sinopse

Nilzete Habib, uma mulher branca de classe média, dona de casa nascida em Belmonte, no extremo mais Sul do estado da Bahia, no Nordeste do Brasil, alimentava seus filhos e netos com capitão de feijão. Sempre o fez. Primeiro, com meu pai e seus irmãos, seus filhos; depois, comigo, meu irmão e meus primos, seus netos. Segundo ela, o nome capitão se explicava no que hoje desconfio ser uma estratégia: tínhamos de comer todas as patentes do exército até chegar ao capitão, uma das mais altas. Era sinal de que havíamos comido bem. Um jeito afetivo, tátil, multissensorial de alimentar seus descendentes. Este registro me faz quem sou; essa memória constrói minha identidade. Ao longo da vida, vi outras famílias, sempre chefiadas por mulheres nordestinas, como ela, cultivarem uma prática alimentar parecida. O ritual, os sentimentos e sensações nele envolvidos, que transitavam do afeto ao prazer e à vergonha, passaram a me intrigar cada vez mais. Esta pesquisa parte desta experiência.

Ao longo de seu percurso, este trabalho examina a prática de comer com as mãos como uma prática cotidiana de resistência, investigando, na cultura alimentar brasileira, um dos modos como esta se conforma e é mais conhecida: por meio de bolinhos de feijão e farinha denominados, em algumas partes do país, de “capitão”.

PRÊMIO IGOR DE GARINE 2024

Data de Publicação

28 dezembro, 2025

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