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Ciclo de Seminários

Memória, Trauma e Narrativas sobre Si

(English version)

Este ciclo de seminários convoca à reflexão e ao debate os diversos saberes que tomam a memória, o trauma e a narrativa de si como conceitos cardinais. É a partir desse diálogo interdisciplinar que são consideradas problemáticas inerentes à constituição, reconfiguração e representação de narrativas pessoais e coletivas, no contexto de vivências ou acontecimentos traumáticos que ameaçam a sua unidade e integridade. São contributos para uma melhor compreensão do horizonte das formas terapêuticas, sejam estas entendidas em sentido estrito, como intervenções técnica e comunicativamente diferenciadas, ou como tipos de observação normativa promotores de processos de reconhecimento, justiça e reparação. Nas diversas sessões serão abordadas a plasticidade, as dinâmicas e a opacidade da memória individual e social tendo em conta o seu condicionamento por eventos traumáticos, bem como os modos de facilitação do autoconhecimento e mudança benéfica. Tais aproximações conferem um papel central à narrativa e ao testemunho, mobilizando os seus efeitos retroativos sobre o trauma, mas implicam também o reconhecimento das suas limitações e o esclarecimento do seu horizonte normativo. Além da sua aplicação no estrito âmbito do trabalho terapêutico, conceitos e teorias centrais da Psicanálise e da Psicoterapia prestam-se a cruzamentos com modelos teóricos da História das Ideias, da Filosofia e da Ciência Política, a fim de compreender os limites das conceções lineares da História. As dificuldades inerentes à narrativa linear estão bem expressas nos conflitos em torno das representações do passado e nas interpretações do legado, bases dinâmicas da construção e das sucessivas reconfigurações da identidade coletiva. Trata-se de temas recorrentes nos debates sobre a proteção, o estatuto e o acolhimento a prestar às vítimas de abuso e violência, medidas essenciais ao reforço de modelos de reabilitação, integração e empoderamento. Também no que concerne à coexistência de etnias, religiões e estados, o paciente esclarecimento dos efeitos traumáticos sobre as auto-conceções e representações identitárias afigura-se crucial para as mediações promotoras de relações dialógicas que fomentem o respeito e o assumir de compromissos conjuntos. Nos seminários reflete-se ainda sobre a evidência de que memória, trauma e narrativa surgem também codificados em novos modos de mediação digital em diferentes domínios, da terapia à política, passando pela arte e o entretenimento. Trata-se de uma significativa transformação dos modos tradicionais de externalização, acesso e transmissão da memória. Tais suportes adaptam e desenvolvem diferentes formas simbólicas de condicionamento comunicativo das emoções e da cognição, favorecendo múltiplas observações da memória traumática, participando na reconfiguração das narrativas de si. Cada sessão será dedicada à reflexão em torno de uma das seguintes temáticas: 1) Modelos psicológicos de memória, trauma e narrativa; 2) Terapia, indivíduo e sociedade; 3) Memória social e conflito cultural; 4) Mediações e remediacões narrativas; 5) Memória, trauma e representação identitária; 6) Conflito, narrativa e diálogo inter-religioso.

Este ciclo de seminários convoca à reflexão e ao debate os diversos saberes que tomam a memória, o trauma e a narrativa de si como conceitos cardinais. É a partir desse diálogo interdisciplinar que são consideradas problemáticas inerentes à constituição, reconfiguração e representação de narrativas pessoais e coletivas, no contexto de vivências ou acontecimentos traumáticos que ameaçam a sua unidade e integridade. São contributos para uma melhor compreensão do horizonte das formas terapêuticas, sejam estas entendidas em sentido estrito, como intervenções técnica e comunicativamente diferenciadas, ou como tipos de observação normativa promotores de processos de reconhecimento, justiça e reparação.

Nas diversas sessões serão abordadas a plasticidade, as dinâmicas e a opacidade da memória individual e social tendo em conta o seu condicionamento por eventos traumáticos, bem como os modos de facilitação do autoconhecimento e mudança benéfica. Tais aproximações conferem um papel central à narrativa e ao testemunho, mobilizando os seus efeitos retroativos sobre o trauma, mas implicam também o reconhecimento das suas limitações e o esclarecimento do seu horizonte normativo. Além da sua aplicação no estrito âmbito do trabalho terapêutico, conceitos e teorias centrais da Psicanálise e da Psicoterapia prestam-se a cruzamentos com modelos teóricos da História das Ideias, da Filosofia e da Ciência Política, a fim de compreender os limites das conceções lineares da História. As dificuldades inerentes à narrativa linear estão bem expressas nos conflitos em torno das representações do passado e nas interpretações do legado, bases dinâmicas da construção e das sucessivas reconfigurações da identidade coletiva. Trata-se de temas recorrentes nos debates sobre a proteção, o estatuto e o acolhimento a prestar às vítimas de abuso e violência, medidas essenciais ao reforço de modelos de reabilitação, integração e empoderamento. Também no que concerne à coexistência de etnias, religiões e estados, o paciente esclarecimento dos efeitos traumáticos sobre as auto-conceções e representações identitárias afigura-se crucial para as mediações promotoras de relações dialógicas que fomentem o respeito e o assumir de compromissos conjuntos.

Nos seminários reflete-se ainda sobre a evidência de que memória, trauma e narrativa surgem também codificados em novos modos de mediação digital em diferentes domínios, da terapia à política, passando pela arte e o entretenimento. Trata-se de uma significativa transformação dos modos tradicionais de externalização, acesso e transmissão da memória. Tais suportes adaptam e desenvolvem diferentes formas simbólicas de condicionamento comunicativo das emoções e da cognição, favorecendo múltiplas observações da memória traumática, participando na reconfiguração das narrativas de si.

Cada sessão será dedicada à reflexão em torno de uma das seguintes temáticas: 1) Modelos psicológicos de memória, trauma e narrativa; 2) Terapia, indivíduo e sociedade; 3) Memória social e conflito cultural; 4) Mediações e remediações narrativas; 5) Memória, trauma e representação identitária; 6) Conflito, narrativa e diálogo inter-religioso.

Formato e duração das sessões

As sessões terão lugar em plataformas online. Cada sessão terá duas a três palestras cuja duração não deverá exceder os 40 minutos. Findas as exposições haverá 30 minutos para questões e debate de ideias.

Comissão Científica e Organizadora

Cláudio Carvalho (Instituto de Filosofia/U.Porto) | Joana Ricarte (CEIS20/U. Coimbra) | Edmundo Balsemão Pires (CEIS20 & DFCI-FL/U.Coimbra)

Apoio institucional

Centro de Estudos Interdisciplinares (CEIS20) e Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação (DFCI/FL/UC)

Contacto

seminario_mtn@fl.uc.pt