Fernando Pessoa e outros fingidores. Maria Irene Ramalho. Lisboa: Tinta-da-china, 2021. 376 páginas, ISBN: 978-989-671-621-9.
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Os catorze ensaios que constituem Fernando Pessoa e outros fingidores registam um gradual processo de aprendizagem da lírica moderna através de um olhar comparatista lançado sobre a poesia e a poética de Pessoa. Em literatura comparada, apesar do mal-estar que em geral causa em quem escreve poesia lírica, o conceito de «influência» preside ao estudo e teorização das relações entre poetas. Este livro traz uma proposta inovadora. Com base no pensamento de Walter Benjamin («As ideias estão para as coisas como as constelações para as estrelas»), o livro propõe uma leitura da poesia de Pessoa, e da poesia lírica em geral, assente no conceito de «constelação» – a poesia está para os poetas como as constelações para as estrelas. Poetas que não precisam de estar em contacto, ou em conjunção, para serem lidos como parte de uma mesma constelação. Pela criação dos «poemas inconjunctos» do heterónimo Alberto Caeiro (isto é, poemas como astros não em conjunção), Pessoa sublinha a traço mais grosso ainda a sua radical desmistificação dos conceitos de autor e de influência poética, revelando-se em surpreendente diálogo com poetas que nunca conheceu, e dando assim a descobrir novas dimensões hermenêuticas para a literatura comparada.
A obra foi distinguida com o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho: Notícia | Página do Prémio