Editorial

O mundo enfrentou, por estes dias, um forte abalo (não, não me refiro ao apagão...), que deixa uma marca profunda em todos os que habitam e se preocupam com este planeta. Desta vez não me refiro a um qualquer rastro de destruição provocado pelos cada vez mais comuns aziúmes da nossa desprotegida Terra, mas pela onda de tristeza que se abateu sobre todos nós, pela perda de um Homem que deixou marca. O Mundo acaba de perder um dos seus maiores aliados, um dos seus mais ilustres habitantes, o Papa Francisco. Um Homem que marcou o seu pontificado pela simplicidade, pela modéstia, pela generosidade, pela humildade, pela magnanimidade. Um Homem que vai deixar muitas saudades, vai fazer muita falta, não apenas pelo que fez pela Igreja Católica, mas, acima de tudo, pelo que fez pelo mundo, pela sociedade, pela justiça, pela igualdade, pelo amor e dedicação ao próximo. O Papa Francisco soube tirar proveito do lugar que ocupou para servir a Humanidade e deixar, depois da sua passagem, um mundo um bocadinho melhor, mais unido e mais fraterno. No ambiente particularmente tumultuoso que vivemos, em que a discórdia, o ódio, a intolerância, sobressaem e assumem um protagonismo que não se deseja, pessoas como o Papa Francisco (e, se me permitem, a própria Religião, no seu conceito mais puro, genuíno e congregador) podem, e devem, assumir um importante papel apaziguador e pacificador.

O Papa Francisco teve a coragem, e a inteligência, para encetar reformas necessárias não apenas para a “sobrevivência” da Igreja, mas também para a tornar mais “atrativa” e um lugar de redenção e conciliação para quem a procura. A Igreja é feita de pessoas, com pessoas, para pessoas. E o Papa Francisco foi uma pessoa que desceu do alto do seu pedestal Papal para, prescindindo de mordomias, estar próximo das pessoas, com as pessoas, e viver para as pessoas, promovendo a paz, inclusão e indulgência. Lutou pelos pobres, pela igualdade, promoveu o diálogo, estabeleceu pontes, onde muitos viam um fosso inelutável. Sonhou com um mundo e uma sociedade com lugar para “todos, todos, todos”!

Presto aqui a minha singela homenagem ao Papa Francisco, pelo legado de esperança que deixou, pelas mudanças que introduziu na sociedade e na Igreja Católica (ainda que algumas não consumadas, abriu a porta à reflexão e obrigou à discussão), pela forma aberta e livre com que enfrentou dogmas seculares tão enraizados (e desatualizados...). Um Homem como o Papa Francisco não pode cair no esquecimento e deve servir de referência e inspiração a “todos, todos, todos”! Espero, sinceramente, que durante as discussões para a eleição do próximo Bispo de Roma se entenda e valorize o impacto extraordinário que o Papa Francisco teve ao longo do seu papado, consensualmente reconhecido pelos mais diversos quadrantes, religiosos, políticos, sociais, e que crie as condições para que o seu legado seja prolongado.

Também a FMUC se orgulha de ser um espaço de tolerância, em que prevaleça a equidade, a igualdade de oportunidades e em que o direito à diferença e à individualidade sejam respeitados. E foi com este espírito que foi recentemente lançado, no bar do iCBR, o HUG Café, um projeto de parceria do iCBR-FMUC com a APPDA, para promoção de um espaço onde poderá sempre encontrar um sorriso, um gesto afetuoso, um abraço. Em “Isto é FMUC”, vamos conhecer o HUG Café, através de uma conversa que tivemos com Elsa Vieira.

Em “Do curso de Medicina”, o rebelde ex-futuro engenheiro, Manuel Santos Rosa, conta-nos como a tecnologia aeronáutica o seduziu para uma carreira na medicina e como os aviões foram substituídos por outros voos na imunologia. Nos dias de hoje, a tecnologia, nomeadamente a computação e a inteligência artificial, assumem um papel fulcral no progresso da humanidade e da tecnologia. Em 4’33’’, através de uma conversa com Edmundo Monteiro, Diretor da FCTUC, e Ricardo Martinho, presidente da IBM Portugal, vamos conhecer uma tecnologia que pode “inventar” a natureza e está a revolucionar a forma como olhamos para os problemas e encontramos soluções.

Em Lucerna, vamos conhecer os desafios enfrentados por Vasco Ialá, estudante da Guiné-Bissau a frequentar o Programa de Doutoramento em Ciências da Saúde, que deixou para trás Canchungo com o sonho de transformar realidades, através da investigação. Em “Fora da Medicina”, apresentamos o programa Sky Campus, que pretende ajudar estudantes, funcionários e docentes a atingir o seu máximo potencial e a lidar com a solidão, o stress e a ansiedade, através de workshops de técnicas de meditação e respiração. Num final minimal, Tânia Marques, jovem Investigadora da FMUC, aconselha um murro no estômago para tentar tratar as feridas abertas pela violência e crueldade da nossa sociedade.

Henrique Girão

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