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Biblioteca Joanina - Piso Nobre PT

11 agosto, 2020

Expoente máximo do Barroco Português é uma das mais ricas bibliotecas europeias. Anteriormente denominada como “Casa da Livraria”, ficará conhecida como Biblioteca Joanina em honra e memória do Rei D. João V, que autorizou a sua construção e cujo retrato de Domenico Duprá domina o espaço do Piso Nobre. Composto por três salas, ficou concluído em 1728, tendo funcionado como espaço de estudo desde 1777, até à primeira metade do séc. XX.

As três salas encontram-se revestidas por estantes e varandas, ornamentadas com ricas talhas e pinturas a ouro sobre fundo azul, na primeira e na terceira sala, e ouro sobre vermelho, na segunda, destacando-se também as pinturas com motivos orientais designadas chinoiserie. Nos arcos que separam as salas predominam os escudos com os símbolos das antigas faculdades. Salienta-se igualmente o trabalho de pintura das madeiras, que dá a aparência de mármore. O acesso às varandas faz-se por escadas embutidas nos arcos que separam as salas. As escadas das estantes do balcão superior estão embutidas na estrutura.

As pinturas dos tetos são da autoria de António Simões Ribeiro e Vicente Nunes. Estes foram pintados sobre uma perspetiva ilusionista, ou seja, em trompe l’oeil, que visa criar uma ilusão de ótica.

O teto da primeira sala revela a figura da Biblioteca (identificada pela legenda “Bibliotecae Imago”). Nas sancas, quatro figuras femininas surgem em representação dos quatro grandes continentes (África, Ásia, Europa e América), sugerindo a abertura à sabedoria proveniente de todas as partes do mundo. A legenda, em latim, esclarece: “estas estantes ornam-se de livrinhos, felizes”.

Na sala central é figurada a própria Universidade (na legenda “Universitas”), rodeada pelos atributos que a devem acompanhar no exercício da sua missão – Honra, Virtude, Fortuna e Fama – e, insistindo na cultura clássica como base do saber universal, nos medalhões periféricos representam-se os autores latinos Virgílio, Ovídio, Séneca e Cícero.

No teto da terceira sala, a Universidade surge como síntese do conhecimento universal (“Enciclopedia”). Nas sancas, as principais áreas do saber são identificadas por legendas: “Sacra Pagina” para Teologia e Cânones; “Astraea” para Direito ou Leis; “Natura” para Ciências da Natureza, em alusão à Medicina; “Ars” para Artes.

Neste espaço, encontram-se livros que datam dos séculos XVI, XVII e XVIII, perfazendo cerca de 40 000 obras. Estas abrangem as mais diversas temáticas; na primeira sala, História e Literatura; na segunda, Direito e Ciências e, na terceira, Direito Canónico e Teologia.

Para além dos métodos de conservação já referidos, a biblioteca conta com a presença de uma colónia de morcegos no seu interior. Estes contribuem no combate aos insetos que poderiam destruir os livros, o que obriga a um cuidado adicional para prevenir danos que os dejetos destes animais possam fazer nas madeiras preciosas das mesas de leitura; como tal, no final do dia, estas superfícies são cobertas com uma toalha de couro.

SABIA QUE...

Na segunda sala, onde pode ler-se “Cimélios”, que significa “tesouro”, era o local onde se guardavam as obras mais importantes.

Algumas estantes encontram-se vazias, uma vez que os livros aí presentes estão numa câmara anóxica onde, durante 21 dias, é retirado o oxigénio, eliminando deste modo os parasitas que podem danificar o papel.

Todos os livros que estão guardados nesta biblioteca podem ainda hoje ser consultados. Podem-se identificar os livros atualmente requisitados através de um papel branco, no seu lugar, ao qual os bibliotecários carinhosamente apelidam de “fantasma”.