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Narcisário

A Península Ibérica é, provavelmente, o centro de origem do género Narcissus, que conta com cerca de 19 espécies em Portugal. Nesta pequena mostra apresentamos uma seleção dessa diversidade, com plantas provenientes da coleção que Abílio Fernandes constituiu nos anos 60 do século XX, ou das mais recentes expedições do Jardim Botânico.

As espécies estão organizadas taxonomicamente em quatro grupos.

Em exposição

Grupo 1: Narcissus subgen. Hermione (Salisbury) Spach

Estão distribuídos essencialmente pelas planícies costeiras do Mediterrâneo e Atlântico. Têm 5 como número cromossómico primário (x = 5), enquanto que as espécies de Narcissus subgen. Narcissus têm x = 7 e parecem ter evoluído predominantemente em áreas montanhosas. Hermíone na mitologia grega é filha de Menelau e de Helena.

Narcissus tazzetta L.

PT-0-COI-2023/00021

@André Carapeto/Flora-on

Nome comum: narciso-de-constantinopla

Descrição breve: Distingue-se pelas folhas largas, tépalas brancas e coroa cupuliforme amarela

Distribuição: Nordeste da Península Ibérica à Anatólia e Norte de África

Curiosidades: É cultivada como ornamental desde a Antiguidade. Estima-se ter sido introduzida na China via Rota da Seda ao tempo da dinastia Song. Em Portugal é uma planta escapada de cultivo

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Narcissus papyraceus Ker Gawl.

PT-0-COI-XXXX/00008

@Flora-on/Miguel Porto

Nome comum: mijaburro

Descrição breve: Distingue-se pelas folhas largas, tépalas brancas e coroa cupuliforme branc

Distribuição: Bacia Mediterrânica Ocidental

Curiosidades: O nome popular parece derivar do cheiro desagradável das flores quando secam.

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Grupo 2: Narcissus sect. Apodanthi e Bulbocodi

As espécies da secção Apodanthi do género Narcissus, descrita por Abílio Fernandes, constituem o primeiro grupo a divergir dentro de Narcissus subgen. Narcissus. As espécies da secção Bulbocodi tem coroas campanuladas de grandes dimensões.

Narcissus scaberulus Henriq.

PT-0-COI-2023/00004

@Flora-on/Ana Júlia Pereira

Nome comum: narciso-do-mondego

Descrição breve: Distingue-se pelo pequeno porte, e tom azulado das folhas e hastes florais

Distribuição: endemismo da bacia do Médio Mondego, Seia e Cobral

Curiosidades: Foi descrita para a ciência por Júlio Henriques a partir de plantas cultivados no JBUC

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Narcissus aff. scaberulus

PT-0-COI-2023/00066

@João Farminhão

Nome comum: narciso-de-santa-eulália

Descrição breve: Distingue-se de N. scaberulus pelo porte maior e folhas não azuladas

Distribuição: granitos rosa de Santa Eulália (Elvas)

Curiosidades: Trata-se de uma espécie não descrita ou de uma população de N. calcicola sobre granitos, o que configura algo excecional.

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Narcissus bulbocodium L.

PT-0-COI-XXXX/00003

@Flora-on/Ana Júlia Pereira

Nome comum: campainhas-amarelas

Descrição breve: Distingue-se pela grande coroa campanulada amarela e pelas tépalas com linhas verdes na face externa

Distribuição: Península Ibérica, Norte de África e França

Curiosidades: Espécie muito variável, morfológica e ecologicamente, estudado em grande pormenor por Abílio Fernandes

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Grupo 3: Narcissus sect. Jonquillae

A definição desta secção tal como delimitada por Abílio Fernandes foi confirmada pelas mais recentes análises filogenéticas. Os cromossomas são longos e as folhas têm secção semicircular.

Narcissus willkommii (Samp.) A.Fern.

PT-0-COI-1963/00001

@Flora-on/André Carapeto

Nome comum: junquilho-do-algarve

Descrição breve: Distingue-se de Narcissus gaditanus, a outra espécie de flores amarelas do Algarve, pelo tubo longo (14 mm) e reto do perigónio

Distribuição: Algarve central

Curiosidades: Em Perigo de Extinção. As plantas cultivadas no JBUC são provenientes de uma colheita de Jorge Paiva, que atesta a redescoberta desta espécie em 1963, quando não era registada desde 1846. Estes exemplares são provenientes de uma população desaparecida entre Loulé e Barranco do Velho. Estão em cultivo no JBUC desde então, tendo feito parte da coleção que o Prof. Abílio Fernandes constituiu na «Casa dos Narcisos», sita na Mata do Jardim, utilizada nos seus estudos pioneiros de citotaxonomia. Trata-se de uma espécie Em Perigo segundo a Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal. Em matéria de conservação ex situ, estão entre os mais valiosos exemplares da nossa coleção.

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Grupo 4: Narcissus subsect. Pseudonarcissus

As flores grandes e amarelas, com uma coroa bem desenvolvida, fazem deste grupo de espécies particularmente apetecível para a horticultura. São muito próximos de Narcissus poeticus, a espécie-tipo do género. Como em todos os narcisos, a coroa resulta da fusão de estames.

Narcissus pseudonarcissus cf. subsp. nobilis

PT-0-COI-XXXX/00009

@Flora-on/Paulo Ventura Araújo

Nome comum: narciso-trombeta

Distribuição: Sudoeste da Europa

Descrição breve: A identificação de espécies e subespécies dentro do complexo de N. pseudonarcissus é difícil. O comprimento das tépalas, do tubo do perigónio, da coroa, e a relação entre o comprimento do tubo e da espata são caracteres informativos

Curiosidades: A maioria dos narcisos de jardim deriva de plantas deste complexo de espécies

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Narcissus pseudonarcissus cf. subsp. portensis

PT-0-COI-XXXX/00010

@Flora-on/André Carapeto

Nome comum: narciso-trombeta

Descrição breve: As tépalas em Narcissus pseudonarcissus subsp. portensis são um amarelo dourado, da mesma cor que a coroa, enquanto que na subespécie nobilis são de um amarelo pálido a brancas.

Distribuição: Sudoeste da Europa

Curiosidades: A maioria dos narcisos de jardim deriva de plantas deste complexo de espécies

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