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LUÍS, António (?-1565)

Professor da Faculdade de Medicina

Naturalidade — Lisboa — Lisboa, ca. 1565.

Filiação — Mestre Luís.

Graus— Lic., 29.11.1533.

Cadeiras — Galeno e Aristóteles, numa catedrilha (prov. 11.1.1547, pos. 4.3.1547), lente.

Obra — Ed.: De occultis in re medica proprietatibus (Brescia: Cominus Praesenius. 1597); De occultis proprietatibus libri quinque…(Lisboa: Luís Rodrigues, 1540); De Empyricis, et miscellaneis aliquot liber unus: ubi de variis diversarum rerurn virtutibus (Lisboa: Luís Rodrigues, 1540); De pudore liber unus, ... Michaelis Psellii,… Allegoria tres… Teles De comparatione divitiarum et paupertatis. Quod vita plurimis plena malis et alia quaedam omnium ex graeco traducta (Antuérpia: Michael Hellenius, 1537); De pudore liber unus occulta quaedam exhibens e Graecorum historiis excerpta (Lisboa: Luís Rodrigues, 1540); De Re Medica Opera ... (Lisboa: Luís Rodrigues, 1540); Problematum libri quinque... (Lisboa: Luís Rodrigues, 1539).
Traduções para latim: Michaelis Pselli alegoriae tres in Tantalum, in Sphingen, in Circen, et in Sotadem, quod vila pluribus sit plena malis (Antuérpia: Michael Helenius, 1537); Panegirica Oratio elegantissima plurima rerum, et historiarum copia referta Joanni hujus nominis Tertio invictissimno Lusitaniarumt Regi nuncupata (Lisboa: Luís Rodrigues, 1539); Epístola a Jerónimo Cardoso in Hieronimi Cardosi Lusitani Epistolarum Familiarium Libellus (Lisboa, 1556). Ms.: Tratado de Agricultura; Tratado de Língua Portuguesa; Commentaria D. Cyrilli in Isaiam Prophetam. Segundo BM os seguintes ms. estavam na livraria do Dr. Nicolau Francisco Xavier da Silva que foi comprada pelo rei: Annotationes aliquorum locorum, in quibus hallucinatus est Erasmus in transferendo Galeni libello, qui inscribitur Exhortatio ad bonas artes; Castigationes nonnullorum locorum ex libris de medicamentorum simplicium facultatibus Theodorito Clenardo interprete; De Urinis libellus doctissimus nunc primum latinitate donatus; Galeni de Dignotione, et curatione aegritudinum renum libellus, nunc primum e Graeco in Latinum conversus, et scholiis illustratus. Ad clarissimum virum Magistrum Jacobus Serenissimi Lusilanorum Regis Archiatrum dignissimum; Castigationes in libellum de rerum affectorum dignotione. Joaquim de Carvalho identificou este ms. numa miscelânea na Biblioteca da Ajuda (cota 46-VII1-12).

Observações — O seu pai foi também médico, segundo BM. Obtém, segundo alguns biógrafos o grau de Bach. em Medic., em Salamanca, em 1532 (vid. Santander,Teresa, p. 230, onde consta o seu nome, obtendo este grau em 14.8.1532). Em 10.2.1539 é detido pela Inq. de Lisboa, sendo liberto alguns dias depois. A prov. de 11.1.1547 ordenava-lhe que lesse uma lição de Galeno e outra de Aristóteles, ambas em grego; uma outra prov. de 13.1.1548 dispensa-o da lição de Aristóteles. Segundo BM começou a ler na Univ. uma lição de Galeno e outra de Aristóteles tomando pos. em cons. de  4.3.1547. Estas informações são refutadas por Pedro A. Dias, por não ter encontrado registos destes factos, mas na verdade existem no AUC. Em cons. de 1.8.1547 é nom. para pronunciar a oração de sapientia do início do ano lectivo seguinte. Em Cons. de multas de 26.7.1548 diz-se que António Luís deixara de ler em 12.3.1548. Foi um médico ilustre, da corrente galenista, com uma obra extensa. BM indica a sua obra manuscrita mas não a localiza. Dedicou-se também aos estudos filosóficos e clássicos revelando-se um verdadeiro homem do Renascimento,
de um saber enciclopédico. O domínio perfeito da língua grega, vertendo inúmeros escritos desta língua para latim, leva a que seja conhecido como «O Grego». Amato Lusitano apelidava-o «utriusque linguae doctissimus». Amigo de Jerónimo Cardoso e de João de Barros, a quem dedica uma das suas obras. Os seus estudiosos revelam a intuição que teve da lei que Newton viria a formular, a da «Atracção Universal», o que é contestado por Ricardo Jorge ao dizer de António Luís «que não fez mais que parafrasear doutrinas da Filos. grega, sem nexo algum directo ou indirecto com a Física newtoniana». À obra De occultis proprietatibus... (impressa sobre velino) é dedicada uma descrição por Leo S. Olschki. «Les livres inconnus des bihliographes» in La Bibliofilia (publicada em Milão pela Editora Olschki), 13 (1911-1912), p. 468-469. Teve um processo na Inq. de Lisboa. em 1539, sendo acusado de «ter livros em hebraico».

Nota: O excerto apresentado foi retirado da obra Memoria Professorum Universitatis Conimbrigensis, com a autorização do Prof. Doutor Augusto Rodrigues, editor literário.

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