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O ensino da obra camoniana na China - em comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa (5 de Maio)

Breve apresentação do grupo de trabalho coordenado por Cristina Zhou
4 maio
"OS LUSIADAS EM CHINÊS" - 1942, adaptação em prosa de João de Barros, tradução para chinês de L. G.Gomes
"OS LUSIADAS EM CHINÊS" - 1942, adaptação em prosa de João de Barros, tradução para chinês de L. G.Gomes

O ensino da obra camoniana na China - em comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa (5 de Maio)

Cristina Zhou (Diretora executiva do Instituto Confúcio da Universidade de Coimbra e Membro Integrado do CIEC)


Sendo uma figura inevitável na história e na literatura portuguesa, Camões encontra-se igualmente bem presente no ensino da língua portuguesa na China. Pretende-se, neste breve texto, dar a conhecer o lugar importantíssimo que o poeta português ocupa na República Popular da China nos programas de Licenciatura de Língua Portuguesa (4 anos), tendo como referências três universidades parceiras da UC: a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (Beijing Foreign Studies University, BFSU), a Universidade de Estudos Estrangeiros de Cantão (Guangdong Foreign Studies University, GFSU) e a Universidade de Pequim (Peking University, PKU).

Na BFSU, a vida e obra de Camões é um tema obrigatório nas aulas de “Panorama da Literatura Portuguesa”, integradas na cadeira de “Introdução aos Países Lusófonos”, desde logo no primeiro ano da licenciatura. Sob a orientação do docente, os alunos conseguem ter uma ideia geral, mas sistematizada, sobre Camões; além disso, são incentivados a fazer breves apresentações individuais sobre um determinado aspecto do poeta. Nas férias de Inverno entre o primeiro e segundo semestre do 2º ano, é recomendada aos alunos a leitura de Os Lusíadas, em original, com ou sem apoio da adaptação simplificada. O Camões lírico é incorporado no segundo volume dos manuais do Curso de Português (manuais elaborados pela equipa docente da BFSU), em que se encontram os sonetos mais célebres do poeta na secção de “Leitura e Apreciação da Poesia” a seguir a cada unidade.

Na GFSU, a lírica camoniana entra no segundo ano da licenciatura, na cadeira de “Leitura”, sendo obrigatório estudar o soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”. Este soneto é explicado pelo docente, e depois é traduzido pelos alunos para chinês. Na cadeira de “Introdução à Cultura e Sociedade Portuguesa”, é estudada a figura de Camões sobretudo no seu sentido simbólico, fundamental na construção da identidade portuguesa.

Na PKU, a vida e obra de Camões é primeiro apresentada de uma forma geral nas cadeiras de “Leitura Intensiva”, “Leitura Extensiva” e “Cultura”, depois, é estudada com mais profundidade na cadeira de “História da Literatura Portuguesa I”, em que o docente selecciona poemas camonianos e os explica detalhadamente aos alunos. Certos elementos da poesia camoniana são utilizados para ajudar os alunos no treino gramatical; por exemplo, dividir as sílabas de um soneto, estudar as ordenações de palavras na construção de versos e estrofes.

Em geral, todos os estudantes de língua portuguesa na China compreendem por que razão a língua portuguesa é a língua de Camões. Além dos exemplos acima referidos, há várias outras universidades, tanto na China continental como na Região Administrativa Especial de Macau, apoiando-se na obra camoniana para ensinar português. Aqui deixo apenas umas breves indicações: a Universidade de Macau (na cadeira de “Leitura” é lida uma selecta da lírica camoniana, em português e em chinês); a Universidade de Estudos Internacionais de Xangai (a vida e obra do poeta é apresentada na cadeira de “Literatura Portuguesa” do terceiro ano); a Universidade de Estudos Internacionais de Xi’an e a Universidade de Língua e Cultura de Pequim.