"Emblemas y jeroglíficos en la azulejería barroca portuguesa: fuentes grabadas, disposición y funciones”. Aula Aberta
Quarta-feira, 10 de maio | 11h00
Local: Museu Nacional Machado de Castro
A literatura emblemática nasceu com a primeira edição do Emblematum liber do humanista e jurista milanês Andrea Alciato, publicada em Augsburgo, no ano de 1531, e afirmou-se como uma tipologia híbrida de enorme êxito, difundida em quase todos os países europeus, nos séculos seguintes. Não tardou que as composições emblemáticas – formadas essencialmente por uma imagem e uma breve sentença, geralmente em latim - passassem das páginas impressas a outros suportes materiais, como a pintura, o mobiliário e a decoração arquitetónica, dando origem a um riquíssimo fenómeno de “emblemática aplicada”. Esta prática teve início ainda no século XVI, como exemplifica a representação da Occasio no medalhão de João de Ruão, e intensificou-se no período barroco, quando os emblemas desempenharam uma função dogmática e moralizante cada vez mais evidente. Portugal é, sem dúvida, o país com maior densidade de programas emblemáticos, com particular destaque para a azulejaria do século XVIII.
Esta sessão vai dar a conhecer alguns exemplos, analisando os mecanismos de adaptação que permitiram transferir os modelos dos livros de emblemas para os revestimentos cerâmicos e refletindo sobre as funções dos conjuntos. Pretende-se, assim, destacar o papel da emblemática como chave de interpretação do património nacional à luz do contexto europeu.
Iniciativa organizada em parceria com o Museu Machado de Castro e o Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.